Relatório individual: precisamos repensar este documento!

Relatório individual: precisamos repensar este documento!

É comum chegarmos nas creches para fazer formação nos meses de novembro e dezembro e encontrarmos um cenário de caos:
Nós: olá! Tudo bem? Vamos trabalhar?
Equipe: tudo mais ou menos… estamos malucas com os relatórios! Não sobra tempo para cuidar das crianças da escola e nem para cuidar da nossa casa!
Coordenadoras: vou enlouquecer de tanto ler relatório individual!!!

Resultado: durante 30 dias temos professoras com a cabeça em outro lugar que não as crianças e coordenadoras com a cabeça latejando e bem longe do acompanhamento das práticas docentes. As equipes estão empenhadas em escrever os relatórios descritivos individuais e as coordenadoras com mais de 100 destes documentos para “corrigir”!

Para piorar a cena, ainda escuto que alguns familiares mal leem o documento e confessam que preferiam conversar sobre seus filhos diretamente com a professora.

Reconhece esse ambiente?

Então… alguma coisa está fora de lugar! Não é possível que um processo que provoque tantos contratempos possa ser “normal” e benéfico.

Ok, a avaliação na educação infantil tem sido praticada por meio deste instrumento há muito tempo. Não temos “prova de desenho”, “avaliação da escultura de argila” ou listagens de avaliação de desempenho.  De fato, ao final de um percurso de aprendizagem é preciso avaliar e comunicar os resultados do processo. Contudo, não é pecado discutir se esse relatório descritivo que tem sido feito é o instrumento mais adequado para a avaliação.

Não podemos assistir esse espetáculo de sofrimento e angústia calados.

Sei da existência de normativas municipais para que sejam produzidos relatórios ou portfólios na educação infantil. O que isso quer dizer? Como realizar a avaliação das aprendizagens das crianças e produzir um documento revelador compatível com a realidade prática das instituições?

Confesso que não sei! Mas a comunidade de educadores – das escolas e da academia – deveriam colocar as cabeças para pensar e encontrar uma solução autêntica, útil e factível de ser executada com os meios que dispomos nas creches e pré-escolas brasileiras. 

Posso arriscar algumas sugestões:

  • escolher um dos projetos ou sequência didática que foi significativo para a turma, descrever brevemente o processo (sem esquecer de colocar o pensamento pedagógico que o conduziu) e as aprendizagens gerais do grupo.
  • Destacar brevemente a participação da criança no projeto ou sequência (esta é a parte que contempla a singularidade da avaliação): como a criança estava no início do processo? Quais foram os destaques da sua participação? Como ela chegou ao final?

 

  • Colocar 2 ou 3 fotos que ajudem na descrição. Isso quer dizer que não é para gastar tinta de impressora, tempo e papel com fotos “bonitinhas”. Nesse caso, é importante que a foto REVELE as vivências e conquistas da criança.
  • Acrescentar alguns exemplos de desenhos e produções (de 1 a 3) do início do período letivo e outros do final, colocando uma legenda sobre a percepção do professor em relação às conquistas gráficas e expressivas.

  • Por fim, escolher em conjunto com a equipe pedagógica, um ou dois objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que sejam significativos para as famílias da escola. Tem pais que querem saber sobre a autonomia da criança para se alimentar e se cuidar; outros estão interessados no letramento e na oralidade, e outros ainda nos conhecimentos gerais (ciências, cultura, cidadania etc.). Ao definir um ou outro objetivo, logo no começo do ano, fica mais fácil escolher as pautas de olhar e fazer os registros com foco no relatório de final de ano.
  • Quem disse que o relatório precisa contemplar as derradeiras conquistas das crianças? Sugiro fazer os relatórios no mês de outubro para deixar novembro e dezembro livres para aproveitar o amadurecimento da turma e propor atividades mais complexas, para organizar celebrações e festas para as famílias, além de preparar os rituais de passagem para outra escola/unidade escolar.

E só!
Aliás, isso já é muito:
percurso coletivo + destaque individual da criança neste percurso + fotos reveladoras + produções reveladoras  (com legenda da fala da criança e análise do professor) + breve relato sobre um ou dois objetivos de aprendizagem e desenvolvimento (escolhidos pela equipe) elaboração no mês de outubro = RELATÓRIO INDIVIDUAL

Quem sabe, fazendo um recorte focado sobre o trabalho na escola, o professor vai construindo e organizando seus registros ao longo do ano e na hora do relatório individual ele estará mais preparado.

Mas isso é só um pensamento! Ele é fruto da angústia de viver a angústia de tantos profissionais da educação infantil. Por isso, fica o convite: vamos pensar juntos? Muitas cabeças certamente chegarão a uma solução!

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PARA SABER MAIS…

Leia sobre este tema na postagem Um guia para a jornada do relatório individual

 

13 comments

Escrever sobre conquistas de um bebê requer conhecimento sobre o que se espera desse bebê e não em relação ao grupo. São individuais e com especificidades gerais.

Boa tarde. Realmente precisamos repensar uma nova maneira para elaboração dos relatórios individuais de nossas crianças,uma vez que no momento os que estão em ação, não estão satisfazendo aos ensejos das famílias que na grande maioria, dependendo da realidade social as quais estão inseridas, não são alfabetizadas. Com isto não quero dizer que o relatório deixa de ter sua importância, apenas que precisamos buscar maneiras que contemple todos e com significado.

CONCORDO PLENAMENTE. COMO VOU AVALIAR UMA CRIANÇA DE 2 ANOS, SEM VER O QUE ELA ESTA FAZENDO.

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