Palavra de especialista

Conversamos com Uxa Xavier, artista, educadora em dança e diretora do grupo Lagartixa na Janela que pesquisa o território de criação e pedagogia em dança contemporânea para crianças. Depois de 30 anos trabalhando com crianças em sala, Uxa decidiu que os espaços poderiam se alargar e ela foi encontrar a dança das crianças nas ruas, praças e espaços públicos em geral. Com o grupo Lagartixa na Janela, desenvolveu projetos e estratégias para provocar e valorizar a poesia corporal das crianças, em diálogo com a cidade. A conversa com a Uxa nos levou a pensar sobre a postura convidativa do professor, que desafia e escuta a criança; nos tempos de espera na pandemia e na rotina da escola, além da importância da escola abrir-se para a cidade, como ambiente de pesquisa, arte, cultura e educação. Assista o VÍDEO e entre no site do Lagartixa na Janela para conhecer os projetos, vídeos…

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Afinal, o que é a “estética” citada nas Diretrizes Curriculares? E a “estética” mencionada no campo de experiências Traços, sons, cores e formas da BNCC? Conversamos com a artista, educadora e atelierista JulliPop sobre estética, arte e busca de repertório artístico na educação infantil. Assista o VÍDEO e leia a postagem!   Tempo de Creche – Julli, como entender a estética e a relação da criança com a arte no universo pedagógico da Educação Infantil? JulliPop – A criança é afetada pelo mundo, entregando-se a ele sem amarras. Assim, ao escutar uma história, apreciar um trabalho de arte contemporânea, assistir um vídeo, ver uma peça de teatro etc., ela entra despida na experiência. Arte e brincadeira tem uma relação aproximada, e todas as experiências acontecem de forma conjugada, inclusive as experiências dos campos de experiências da BNCC. Eu entendo que cada linguagem tem especificidades – arte, oralidade, literatura, matemática etc.…

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“Uma volta sem pressa”, este foi o lema da Escola do Bairro que manteve ativas suas atividades presenciais desde setembro de 2020. Como fizeram isso sem que a Covid-19 contaminasse a comunidade? Gisela Wajskop, diretora e fundadora da escola, conversou conosco e compartilhou tudo o que sua equipe, as famílias e as crianças construíram e experimentaram ao longo dos últimos seis meses de pandemia.

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Ao planejar um trabalho voltado às artes visuais, muitos professores utilizam a “releitura”. Mas o que dizem os especialistas em arte-educação sobre isso? E mais, você sabe o que é fazer uma releitura de obra de arte?

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É hora da volta das atividades presenciais da educação infantil? Veja a opinião da infectologista Dra. Adriana, e conheça as sugestões para minimizar os riscos de contágio.

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A importância e a transversalidade da escuta no processo de ensino-aprendizagem: escola que escuta família; coordenador que escuta professor; professor que escuta criança.

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Durante muito tempo a brincadeira foi vista como um “divertimento sem consequências” na vida das crianças. Hoje é reconhecida como linguagem e meio para que a criança aprenda, conheça e se desenvolva. Contudo, ainda desperta dúvidas…  como deve ser a participação do professor nos momentos de brincadeira? Como o contexto dialoga com o brincar? O desenvolvimento da linguagem e a brincadeira têm algo em comum?

Tempo de Creche conversou sobre essas questões com Shelley S. Peterson, professora e pesquisadora da Universidade de Toronto e do OISE – Instituto de Estudos de Educação de Ontário – um dos expoentes da pesquisa da educação infantil. A visita da Professora Shelley ao Brasil foi promovida pelo I Colóquio Internacional Escola do Bairro, a convite da Gisela Wajskop. 

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Lucila da Silva Almeida, parceira do Tempo de Creche e coautora do livro Práticas Comentadas para Inspirar, faz um desabafo de formadora: será que o EVA veio para substituir o ultrapassado papel crepom?

Reflexões e questionamentos da Lucila para os leitores do Tempo de Creche:

Já faz um tempo que me incomodo com o excesso de “decorações” feitas de E.V.A. observadas em muitas das instituições de educação que frequento, Educação infantil e Ensino Fundamental.

São enfeites que ocupam todos os espaços: banheiros, murais de aviso, murais coletivos, títulos de cartazes (como nos quadro de nomes), calendário, tabela de números ou  abecedários, cantinhos de leitura. Já cheguei a ver enfeites de E.V.A. até na área externa!

Os estilos decorativos são variados, com peças compradas prontas de personagens de desenhos animados ou dos clássicos Monica e Cebolinha vestidos a caráter para Festa Junina. Há também professores que se desdobram utilizando réguas e moldes com letras do alfabeto para escrever tudo o que se imagine em E.V.A. É uma verdadeira febre! É quase um critério para “ser professor”, assim como a pasta de modelos de atividade que as alunas dos antigos cursos de Magistério tinham que compor.

Eu particularmente chamo o E.V.A. de “pai do papel crepom”. Os professores mais velhos certamente se lembram do tempo despendido para fazer as inúmeras bolinhas de papel crepom usadas para completar as atividades inacabadas dos alunos, que rapidamente se cansavam da tarefa. Eu já fiz muita bolinha de papel crepom, quando era criança e estudava no antigo “Prézinho” e, depois, quando fui coordenadora pedagógica de Creche e precisava ajudar as professoras às vésperas das reuniões de pais.

Por sorte, durante meu processo de formação,  acabei descobrindo que Educação Infantil era muito mais potente do que apenas uma etapa preparatória para a etapa posterior do ensino. Percebi que precisava conhecer a criança de hoje, do tempo real e não me ater somente a propostas que visavam a aquisição da coordenação motora fina e ampla. Até porque essa aquisição era muito mais presente e consistente nos momentos menos monótonos e mais interessantes.

Enfim, embora as benditas bolinhas de papel crepom tenham deixado minha vida e por sorte a de muitas crianças e professores, elas ainda são práticas recorrentes em algumas instituições.

O papel crepom foi sumindo aos poucos, mas como o mercado de material “pedagógico” persiste e precisa vender, o E.V.A. assumiu  esse lugar. Hoje em dia há folhas de E.V.A. de todas as cores, desenhos e alguns até com gliter!

Contudo, sem entrar no mérito da beleza, questiono: por que os professores insistem em sobrepor modelos estereotipados às marcas das crianças? Por que as produções das crianças são desvalorizadas e minadas pela prática da “decoração” feita pelos professores? Por que utilizar referenciais homogêneos ao invés de abrir espaços à diversidade das produções das crianças e garantir a identidade de cada instituição?

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Conversamos com a doutora em Educação, Maria da Graça Souza Horn para pensar sobre projetos na educação infantil. Acompanhe os esclarecimentos da educadora e as nossas reflexões para começar o período letivo com novas ideias.

Chegamos ao segundo semestre e os temas para os projetos ainda podem trazer dúvidas para os professores. Projetos não são simples! Projetos são complexos em qualquer situação.

Não quero complicar o que já parece complicado, mas na educação infantil os projetos também têm seu grau de complexidade e preveem o envolvimento de diversas áreas.

Para planejar um projeto para crianças pequenas não basta sortear um tema ou tirar uma ideia da cartola! Porque o projeto simplesmente tem que pertencer a todos os envolvidos. Adianta o governo desenvolver um projeto de vacinação sem contar com o interesse da população? Então… com as crianças é a mesma coisa!

Perguntamos para a Maria da Graça, por que é preciso pegar pistas com as crianças para trabalhar com projetos?

Maria da Graça explica: eu faço uma analogia com garimpo. Garimpar é a gente ir buscado, pegando. Porque as pistas são tão importantes? Se a gente trabalha numa perspectiva de currículo narrativo, a narração das crianças é que dão as pistas. Elas vão contando exatamente aquilo que elas querem aprender, aquilo que as inquieta.
O que é importante a gente fazer? É importante a gente prestar atenção ao que as crianças dizem, falam, como elas brincam… A partir daí eu posso pinçar, garimpar neste universo, o que naquele momento está sendo significativo para o grupo. Para isto acontecer, eu tenho que desenvolver uma capacidade muito aguçada de observar, escutar e registrar.

Vamos pensar na questão prática. Se eu preciso escutar as crianças para criar uma narrativa de projeto, é possível estabelecer um tema no início do semestre?
Respondo que não!
Estamos para iniciar um novo período e você teve alguns meses de trabalho com seu grupo. Procure responder as seguintes perguntas:

  • O que as crianças gostaram de fazer?
  • Sobre o que elas fizeram perguntas?
  • O que as intrigou?
  • O que elas comentaram?
  • Por quais histórias são apaixonadas?
  • Como são as brincadeiras na área externa?
  • Quais assuntos são conversados?

Se você respondeu a todos estes questionamentos e ainda não pinçou conteúdos de interesse do grupo, pode pensar: e se não surgirem questionamentos, interesses claros ou perguntas das crianças que possam gerar hipóteses e pesquisas?

Nestes casos o professor pode propor. Ele pode apresentar algo interessante para o grupo e fazer uma escuta atenta das colocações para avaliar a curiosidade das crianças. Pode também fazer uma seleção de histórias, reportagens, documentários, livros e apresentar materiais e elementos da natureza para “garimpar” possibilidades. É aproveitar a hora da roda e das intervenções durante as brincadeiras para jogar sementes de provocação, fazer a escuta e avaliar os interesses.

Mas o oposto também pode acontecer quando um tema cativa as crianças de tal modo que seus questionamentos e investigações não se exaurem num semestre. No CEI Aníbal Difrancia (SP), a turma 3 a 4 anos da professora Cátia ainda não esgotou sua pesquisa sobre dinossauros. O que no início pareceu coisa de “livrinho de história do canto de leitura” avançou para uma investigação científica. A professora admite que tinha outras ideias para o projeto do primeiro semestre mas, ao permitir que as crianças colocassem seus interesses, percebeu que deveria deixar a Paleontologia envolver o grupo e a si própria.

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Escola é lugar de aprendizagem. E só aprendemos o que é significativo. As manifestações culturais são significativas?

Este pensamento pode parecer obvio, mas ele atravessa todas as ações pedagógicas, inclusive o que se comemora na escola. Parte fundamental do planejamento anual é o calendário das ações comemorativas. Reunimos trechos de postagens já publicadas sobre as manifestações culturais, falas provocativas de especialistas parceiras do Tempo de Creche e também um pedacinho do nosso livro Práticas comentadas para inspirar para propor uma reflexão coletiva sobre o tema.

Para começar a pensar…

Quais são as tradições da escola? Quais são as tradições da comunidade escolar (famílias e moradores do entorno)? O que celebrar para valorizar as raízes dessa comunidade e construir pertencimento? Que manifestações culturais abordar?

Quais celebrações e eventos são significativas para as crianças e ampliam o repertório cultural?

Quais manifestações culturais, celebrações e eventos trazem as famílias para mais perto da escola?

As datas comemorativas são tratadas como possibilidade de aprendizados ou se resumem em uma produção decorativa?

A pedagoga e especialista em Educação, Tânia Fukelmann Landau ressalta a importância das manifestações culturais na formação da criança. Antes mesmo do bebê nascer, ele já está imerso em uma cultura.

Da postagem da Tania, destacamos…

“Algumas mães cultivam a prática de acariciar a barriga, outras conversam com seus filhos e cantam para eles ainda escondidinhos no seu ventre músicas de sua infância. Este pode ser o início do sentimento de pertencimento a uma cultura.

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