Acolhimento e adaptação 2021: é hora de falar a língua da brincadeira!

Acolhimento e adaptação 2021: é hora de falar a língua da brincadeira!

No último encontro da primeira edição do curso Escuta e Intenção Pedagógica, as alunas estavam em alvoroço ao comentar sobre a volta das crianças para a educação infantil. Algumas falavam “as crianças não escutam nada e só ficam correndo e gritando! Outras disseram sobre os bebês: é um chororô sem fim! Para outras professoras e coordenadoras, “parece que as crianças desaprenderam sobre as rotinas e os espaços da escola”. E o arremate nas percepções acaloradas foi: está muito difícil saírem dos pátios e irem embora para casa!

Nesse sentido, tive a sensação que também as equipes pedagógicas “esfriaram” e perderam o ritmo do ofício.

Não era para menos! Nesse movimento de montanha russa pelo qual nossas vidas pessoais e profissionais vêm passando, a frustração imposta e a necessidade de reinvenção mexeram na alma e deixaram marcas. Nesta postagem vamos abordar a recepção e o amparo das crianças, famílias e educadores em 2021 e sugerir diversas publicações do Tempo de Creche que podem ajudar a recuperar o espírito de acolhimento e adaptação.

A nova realidade…

Para começar, NÃO É HORA DE CURRÍCULO E DE ROTINAS RÍGIDAS!
Desarme-se e relaxe um pouco a respeito das “obrigações” impostas até 2019!

Nunca a palavra acolhimento fez tanto sentido. Professores, gestores, crianças e famílias estão chegando às escolas com conteúdos emocionais intensos, em muitas situações, pesados e desorganizados. Não foi e não está sendo fácil para ninguém retomar a vida em meio de tantas incertezas. Ainda mais para a educação infantil, em que a parceria e complementaridade com as famílias é mandatória. Vamos lembrar que a maternagem compartilhada, no sentido do cuidado e da atenção aos aspectos emocionais e cognitivos, são as bases do desenvolvimento da criança pequena.

Então, vamos à prática!

Pense, antes de tudo, na língua da criança: a brincadeira. Nesse momento, nenhuma questão é tão vital para acolher e retomar a educação infantil: cenários interessantes, desafiadores, conhecidos e também desconhecidos, devem ser a base de uma recepção que respeita os tempos, ritmos e desejos das crianças.

No início, é muito provável que a brincadeira seja “reconhecer”. Ou seja, para os novatos, é descobrir os espaços, os materiais e os adultos, nesta ordem:
Onde estou?
O que está ao meu alcance
Quem são as pessoas que me cuidarão nesse lugar?
Estes são os desafios para as crianças que nunca foram à escola ou foram transferidas para novas instituições.

Para os que retornam, a ideia é conferir se está tudo no lugar, do jeitinho que estava antes do tal monstrinho invisível surgir. E então, só depois de se certificarem e experimentarem o que é conhecido, surge a hora de descobrir o que tem de novo.
E ponto final para o período! Até reconquistar a confiança das crianças na escola e de sentirem que ela não será mais arrancada de suas vidas, o currículo é permitir todas estas ações e sensações: chegar, assegurar-se, conhecer, reconhecer, relacionar-se, interagir, habituar-se. Entrar no ritmo, apropriar-se e… relaxar.

E os professores?

Eles também precisam de tempo e de condições para retomar e reaquecer. Desse modo, é hora de favorecer a brincadeira, acompanhar as crianças, intervir na ludicidade, observar e registrar… porque os registros serão o porto seguro para entender a situação de cada pequeno, do grupo como um todo e enxergar o papel do docente frente as aprendizagens das suas crianças.

Observar é dar qualidade ao tempo de transição, até que se possa engatar a primeira marcha da educação infantil.

Então, olhe para a sua sala e para as áreas externas e pense: quais cenários já conhecidos posso organizar? Quais brincadeiras posso introduzir? Como posso organizar o dia a dia de modo a respeitar os ritmos ainda desorganizados das crianças? Quais perguntas posso fazer para as famílias para entender um pouco do contexto de cada pequeno?

Finalmente, esfrie a cabeça! Ao fazer TUDO ISSO, você fará muito. Aos poucos, as crianças voltarão a ser velhas conhecidas, a rotina vai retornar e o currículo vai se adaptar ao novo contexto.

Para ajudar a planejar cenários de brincadeira, espaços propositores e atividades, e também dar dicas sobre observação e registro, sugerimos as postagens:

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