Em tabelas, o que a criança faz a cada etapa do desenvolvimento
Como acompanhar os avanços e saltos de aprendizagem das crianças?
A resposta não é simples.
Para responder é preciso partir da observação franca, com olhos de quem quer descobrir o mundo ao lado dos pequenos.
Cada criança tem um traço próprio. Histórias e desejos singulares, que caracterizam percursos e ritmos de seu desenvolvimento. Do mesmo modo, cada turma é única e trilha jornadas próprias em direção ao amadurecimento.
Por outro lado, educar crianças pequenas solicita o apoio de referências para orientar o professor:
Como se movimentam as crianças de um ano?
Em geral, como se comunicam as crianças de 2 anos?
Crianças na faixa dos 5 anos podem ter uma formação científica? Podem trabalhar com números?
Poderíamos listar um infinidade de questionamentos que cruzam os caminhos dos professores da Educação Infantil. Profissionais que hoje devem estruturar o trabalho pedagógico sobre um currículo pautado em experiências e afastado de “conteúdos e disciplinas” (ainda bem [icon icon=icon-smile size=14px color=#000 ]!).
Para auxilia-los a acompanhar o desenvolvimento das crianças a partir da pesquisa das características das próprias turmas, elaboramos uma série de tabelas com uma visão geral do que as crianças podem fazer em cada faixa etária.
Depois do período de acolhimento…
Por que o período de adaptação/acolhimento não acaba?
Muitos professores imaginam respostas para essa pergunta comum:
Neste ano minha turma está difícil.
As minhas crianças chegam cansadas, ficam irritadas e querem dormir.
Percebo que os pequenos ainda não estão prontos para participar de projetos, eles não se entrosaram com os colegas, o espaço, os horários…
Encontramos professores assumindo essas conclusões no período “pós adaptação” ou, como temos nos referido, “pós-acolhimento”.
O que está acontecendo de fato?
Onde está o problema?
O que está por trás dessas conclusões?
Respondemos:
O que você está olhando?
O que está deixando escapar?
Qual é a sua pauta de olhar nesse momento?
A chegada dos pequenos à escola no início do ano se resume a alguns aspectos fundamentais:
- Relações com os adultos
- Relações com outras crianças
- Construção dos tempos coletivos e a rotina
- Interações com o espaço
- Interações com os materiais
- Aspectos individuais
- Segurança
As relações demandam empenho, afeto, tempo e amadurecimento para que se estabeleçam os novos vínculos. Trabalhamos nesse sentido buscando conhecer cada uma das crianças que compõe o grupo, suas histórias e raízes, investimos nos gestos, nas palavras e na mediação entre os amigos. E assim, num trabalho de formiguinha vamos gerando – de gestação mesmo! – o nosso grupo.
Até aqui, tudo certo! Temos até um sentido humano-amoroso-professoral que nos guia por essa jornada. Mas então o que falta? Por que ainda não está dando certo?
Acolhimento em processo: você já é o brinquedo favorito das suas crianças?
Professor, o choro de algumas crianças ainda “contamina” as outras do grupo e você não sabe mais o que fazer? …
Com todo o esforço da adaptação, muitas turmas ainda têm crianças que choram (porque essa é a forma que utilizam para expressar suas angústias!). Outras ainda, encontram dificuldade para se integrar e chegam à creche com ânimo e vontade diminuídos. Essa situação que até parece fora de hora e causa ansiedade nos professores, os leva, muitas vezes, a planejar propostas de atividades sem aquela certeza de que se está conectado com uma escuta do grupo. Será que temos alternativas? Pode pensar esta situação de outra maneira?
Sim! Porque nesta fase, o foco das propostas deve ser outro 😉
O objetivo principal do acolhimento é a construção do seu vínculo com a turma. Você deve ser o centro desse relacionamento focado em cada criança, individualmente. Nessa fase, é você com o Pedro e o Pedro com você; você com Maria e a Maria com você; você com o João e o João com você … e o elo que une essas relações baseia-se na seguinte questão:
Você já é o brinquedo favorito das suas crianças?
Porque a língua das crianças é o lúdico e seu universo é brincante!
E como saber a resposta para essa pergunta?
Siga o roteiro de questões abaixo pensando nas situações ocorridas no último mês:
Água para brincar, acolher e pesquisar
Crianças são formadas num ambiente aquático. O líquido amniótico é uma piscina que banha o bebezinho durante os 9 meses de gestação. Então, a água é a casa da criança por muito tempo e a sua ligação com esse elemento é estrutural. Crianças até dois anos são formadas por 75 a 80% de água, enquanto nós, adultos, temos 70 a 75% deste elemento em nossa constituição.
Portanto, a água é conhecida dos pequenos. Ela traz memória corporal registrada em seus primórdios. Água faz parte do universo das crianças. Água interessa e desafia. Água é íntima, acalma e acolhe.
Quer elemento melhor para acolher as crianças na chegada ao mundo novo que é a escola depois das férias?
Use a água e todo o seu potencial nas propostas dessa época de calor e adaptação:
Bacias, banheirinhas e outros recipientes amplos

De acordo com o número de crianças da turma, coloque os recipientes preenchidos com aproximadamente 10 cm de água. Disponha as bacias com distância apropriada para permitir a movimentação dos pequenos. Diminua a roupa: tire camisetas, meias, sapatos e até a calça/short. Permita tempo suficiente para a experiência. Enquanto os pequenos não se cansarem de aproveitar a água, vai ser difícil encerrar a brincadeira… é muita diversão e aprendizagem!
Águas coloridas
Pesquise recipientes amplos, transparentes ou brancos, e coloque gotas de corante alimentício para tingir levemente as águas. Prepare o ambiente, de preferência externo, reduza as vestimentas das crianças e pense na estética da organização do espaço. Isso convidará os pequenos a experimentar a água e as cores.
Campos de experiências todos os dias! Como trabalhá-los?
Falamos em planejar, registrar, refletir e replanejar como uma postura contemporânea do educador, que percebe as crianças e acolhe suas contribuições. Mas isso é suficiente no contexto formal da Educação Infantil?
O que dizer de currículos oficias, como a BNCC, com conteúdos a serem ensinados ?
→ Por onde começar?
→ Quem pensa sobre a criança e a infância hoje?
Podemos partir de uma discussão baseada na Antropologia da Criança para buscar conclusões. Clarice Cohn (2005) disse que a criança produz cultura, não pelos objetos ou relatos que constrói, mas pela formulação de um sentido que dá ao mundo que a rodeia. Segundo a antropóloga, criança não sabe menos, sabe outra coisa e nós adultos precisamos entrar neste mundo respeitando uma cultura que já existe. Essa postura faz toda a diferença ao pensar em “currículos” e “ensinos”, porque não é possível construir desenvolvimento sobre um território desrespeitado ou até destruído.
Conhecer a cultura da infância das crianças com as quais trabalhamos, é o primeiro ponto de partida para pensar no contexto educativo.
O segundo ponto é refletir sobre a forma como entendemos a infância e o que ela representa para a constituição do futuro adulto.
É a criança um adulto em miniatura?
Já vimos que a Antropologia da Criança distancia-se desse pensamento porque considera que a criança tem universo próprio.
O terceiro ponto apoia-se nas pesquisas da arquitetura do cérebro, que é formado pelas experiências, aprendizagens e emoções vividas na infância.
Os estudos de ambas as ciências – antropologia e fisiologia do pensamento – falam que crianças aprendem pela experiência, pela pesquisa e interações que realizam ao brincar, que deixam marcas por toda a vida.
Esse é o nosso guia!
Simples?
Não, complexo! E desafiador!
Fomos treinados para conduzir o ensino e dar aulas. Esse modo de agir não é respeitoso e nem produtivo.
Palavra de… Beatriz Ferraz: a BNCC e a Educação Infantil
O Blog Tempo de Creche conversou com a psicóloga Beatriz Ferraz sobre a nova Base Nacional Comum Curricular Educação Infantil. Beatriz participou do grupo de especialistas que escreveram textos para apoiar a implementação da primeira versão do documento e foi leitora crítica da 3ª versão.
Tempo de Creche – O que é a BNCC? Em que ela difere das Diretrizes Nacionais e Referenciais?

Beatriz – A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que estabelece um conjunto de noções, habilidades e atitudes que todas as crianças que frequentam a educação infantil têm o direito de aprender. Esse conjunto de aprendizagens estão redigidos como objetivos de aprendizagem e desenvolvimento e devem ser considerados por todas as escolas do país, sejam elas públicas ou privadas.
O documento da BNCC estabelece um referencial nacional obrigatório que deve ser contemplado no currículo de todas as redes de ensino e instituições escolares, públicas ou privadas.
A partir dessa referência, o exercício das redes e escolas é realizar adequações em suas propostas curriculares e pedagógicas, garantindo que as mesmas estejam considerando as aprendizagens indicadas na BNCC. Nesse aspecto a BNCC se diferencia dos Referenciais Curriculares Nacionais, pois os mesmos não tinham o caráter de obrigatoriedade.
Tempo de Creche – A BNCC dialoga com as Diretrizes?
Adaptação: emoções à flor da pele
Reunimos diversos pensamentos, depoimentos e práticas relacionadas à adaptação das crianças à creche e à pré escola no início do ano letivo. Essa situação geralmente perdura um mês e traz ansiedades e angústias de todos os lados: professores, famílias e crianças. Mas é também uma questão pensada e estudada. Conhecer visões sobre o assunto pode transformar o medo do desconhecido num primeiro passo para atravessar a porta de entrada!
O primeiro passo na visão de alguns estudiosos
“O momento de visita de uma criança a um local (…) é inaugural, ou seja, ao mesmo tempo, inaugura um novo lugar e inaugura um novo você”.
Coordenadora do Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca, Mila Chiovatto, em depoimento para o Bolg Tempo de Creche (“É preciso olhar o mundo com olhos de criança”. Henri Matisse)
“Temos que ter o maior cuidado com este primeiro encontro [da criança com o local], o tempo inaugural. É preciso ter profissionais cuidadores do tempo inaugural. É o futuro que está sendo construído. É uma alta responsabilidade”
Luiz Guilherme Vergara, educador, curador e atualmente diretor do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, em depoimento para o Blog Tempo de Creche (“É preciso olhar o mundo com olhos de criança”. Henri Matisse)
A escola é uma espécie de segunda casa das crianças. Elas vão passar boa parte do dia neste ambiente. Na realidade, a creche e a pré-escola são os primeiros espaços de uma sequência de lugares educativos, são as portas de entrada da vida escolar.
Para as famílias da Educação Infantil o ambiente da instituição é novo e desconhecido. Iniciar a apresentação do local com pais e responsáveis e, depois, deixar para eles a tarefa de conduzir a criança na sua primeira visita, vai assegurar aos pequenos que o local conta com a aprovação da família. Essa ação pode contribuir para:
- Uma boa relação das crianças com o novo ambiente
- Familiaridade e integração das famílias com a instituição
- Construir parceria na adaptação da criança na creche
Em depoimento para o Blog Tempo de Creche, Anelise Csapo, supervisora do Núcleo Educativo da Casa das Rosas (SP), (Primeiro dia na creche: um olhar novo de tudo) afirma: “Se a gente trabalhar instigando a criança a perceber o espaço como ela vê e como ela vai dispor das coisas, ela vai encontrar o “seu” espaço, ela vai começar a interagir, construir um espaço que seja aconchegante, que tenha acolhimento. Ao mesmo tempo, ela vai estar num momento de aprendizado, ela vai observar e ela vai trocar com outro, para criar uma coisa nova, mesmo que seja por intuição. Diferente de nós que pensamos o espaço como um todo, ela instintivamente vai pela curiosidade, percebendo, construindo o novo e se apropriando”.
Educação infantil faz diferença?
Feliz 2018!
Feliz Educação Infantil!
Abrimos as postagens deste ano com uma conversa em torno da reportagem publicada nesta segunda feira (8/01/2018), pelo jornal O Estado de São Paulo: “Só o acesso à educação infantil não é suficiente”.
Participaram do bate-papo a psicóloga e orientadora educacional da Escola Criarte, SP, Joyce Eiko Fukuda; a pedagoga e formadora, Lucila Silva de Almeida, e as três autoras do Tempo de Creche, Angela Rizzi, Maria Helena Webster e eu, Joyce M. Rosset.

A reportagem do jornal apresenta uma entrevista realizada com a Professora Dana McCoy, da Escola de Educação de Harvard, renomada universidade americana. Na entrevista a professora compartilha as conclusões de uma importante pesquisa que analisou 22 estudos científicos publicados entre 1960 e 2016, para responder à questão: a Educação Infantil faz diferença na qualidade de vida das crianças e dos futuros adultos?
A pesquisadora conclui que sim. E nós, participantes dessa conversa, também!
A resposta pode parecer óbvia para nós que diariamente dedicamos estudo, trabalho árduo e amor nas creches e escolas do país. Mas essa resposta também pode ser entendida como ponto de partida para que perguntas mais importantes sejam formuladas.
Dana McCoy ressalta que a qualidade da educação praticada é o ponto crucial dessa questão. Educação infantil de qualidade tem sim impacto na vida das pessoas e pode proporcionar experiências que ajudam crianças a construir recursos para lidar com contextos difíceis, a exemplo de “famílias com severos problemas de adversidade, como violência e pobreza”, apontado pela pesquisadora. Segundo ela, “nesses casos, uma educação infantil de qualidade pode ter um papel de proteção”.
Então quem é responsável pela educação infantil?
Parece que foi ontem… quase 2018!
2018 promete: muita saúde, amor e educação!



Neste semestre, alguns professores em formação com a equipe do Tempo de Creche (pelo Programa Desafios IMPAES 2017) arriscaram resgatar as brincadeiras com barcos em sequências didáticas que deram muito o que pensar…
O antigo meio de transporte foi trabalhado com as turmas por meio de livros de histórias, imagens e filmes pesquisados na internet. As rodas de conversa propuseram um diálogo sobre os materiais e os modos a serem utilizados na construção das embarcações.