Acolhimento em processo: você já é o brinquedo favorito das suas crianças?

Acolhimento em processo: você já é o brinquedo favorito das suas crianças?

Professor, o choro de algumas crianças ainda “contamina” as outras do grupo e você não sabe mais o que fazer? …

Com todo o esforço da adaptação, muitas turmas ainda têm crianças que choram (porque essa é a forma que utilizam para expressar suas angústias!). Outras ainda, encontram dificuldade para se integrar e chegam à creche com ânimo e vontade diminuídos. Essa situação que até parece fora de hora e causa ansiedade nos professores, os leva, muitas vezes, a planejar propostas de atividades sem aquela certeza de que se está conectado com uma escuta do grupo. Será que temos alternativas? Pode pensar esta situação de outra maneira?

Sim! Porque nesta fase, o foco das propostas deve ser outro 😉

Imagem crianças post você é o brinquedo

O objetivo principal do acolhimento é a construção do seu vínculo com a turma. Você deve ser o centro desse relacionamento focado em cada criança, individualmente. Nessa fase, é você com o Pedro e o Pedro com você; você com Maria e a Maria com você; você com o João e o João com você … e o elo que une essas relações baseia-se na seguinte questão:

Você já é o brinquedo favorito das suas crianças?

Porque a língua das crianças é o lúdico e seu universo é brincante!

E como saber a resposta para essa pergunta?

Siga o roteiro de questões abaixo pensando nas situações ocorridas no último mês:

a) Sua percepção sobre visão das crianças

  • As crianças se sentem num ambiente tranquilo de afeto e acolhimento quando estão com você e com os outros educadores da creche?
  • As crianças recebem atenção individualizada, porém não exclusiva?
  • As crianças se sentem seguras no ambiente em que você está?
  • Elas se divertem COM você? (não somente sozinhas ou umas com as outras!)

b) Reação das crianças à sua presença

  • O grupo espera as suas propostas?
  • Elas levam até você as suas descobertas?
  • Você mobiliza as atenções do seu grupo como uma fonte de inspiração?
  • Tem alguma criança que não está interessada no que você faz? O que acontece quando percebe isso? Você a convida a participar, você dedica a ela atenção exclusiva demonstrando interesse por aquilo que ela propõe?
  • Você observa e dá o tempo necessário esperar as reações da criança? (Não se antecipa, responde ou entrega imediatamente o que ela busca, permite que procure solucionar seus desafios, acompanhando e mediando o processo)
  • Você percebe os interesses e necessidades das crianças, encaminhando/organizando novas intervenções e propostas? (Olho de águia para sentir e perceber os interesses que vêm surgindo e valorizá-los com intervenções).
  • Existe constância nas atividades da rotina que proporcionem segurança para as crianças? (Criança gosta de ter certeza sobre o que vai acontecer depois e sua noção de tempo é sempre relativa: “se tomei café agora é porque vou brincar depois; depois de dormir vou comer e a mamãe vem me buscar”).

c) Envolvimento e espaço de participação dos familiares

  • Os familiares estão sendo informados sobre as rotinas e atividades das suas crianças? (por meio de relatos, cartazes na entrada das salas, fotos etc., para que percebam o acolhimento e o trabalho da instituição e diminuam suas ansiedades.
  • Quando as mamães estão fora da sala, elas são orientadas quanto à adaptação, estando prontas e seguras para oferecer apoio parceiro no processo?

Estes questionamentos podem fazer o professor refletir sobre esta etapa.

Mas como promover circunstâncias que favoreçam a adaptação do professor às novas crianças e das crianças ao professor?

Colocamos então outra questão:

A partir das atividades ou situações propostas neste período, como você avalia a adaptação das crianças? O que você percebe nelas que poderia aprofundar/desenvolver? Para continuar no processo reflexivo e poder definir seus rumos, pense:

  • Quais ideias a/o levaram a decidir a arrumação da sala?
  • Quais foram os focos de interesse das crianças nos materiais e cenários disponibilizados? (quais cantos, brinquedos, músicas, atividades, espaços). No que elas mais se envolveram?
  • Qual foi a ação que mais aconteceu? (pular, andar de motoca, correr, montar jogos, desenhar, puxar objetos, brincar com água, areia etc., brincar junto, brincar separado, inventar…)
  • O que despertou interesse e expôs dificuldades?
  • Do que elas não brincaram e que você esperava que brincassem?

É a partir do registro dessas percepções que o professor poderá refletir, planejar e propor atividades que contribuirão para a construção do vínculo tão fundamental no processo ensino-aprendizagem. É com escuta generosa, paciência, acolhimento e respeito às crianças que será mais fácil conquistá-las. É a partir da noção de que as relações nesse momento são centralizadas no professor e construídas “em particular” que o docente consolida seu papel de mediador e de referência para seu grupo. A partir da construção destes pilares, inicia-se a construção da segunda etapa do trabalho pedagógico: a descentralização. Mas isso é assunto para outro post!

Para saber mais, clique em:

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O acolhimento sendo planejado, além de deixar este momento menos doloroso, permite uma relação de afeto entre o educador-aluno.

Como é importante aprofundarmos neste tema, pois o acolhimento deve ser algo realmente pensado, para que seja um momento menos doloroso para a criança que recebemos.

Parabéns, muito importante as dicas. Estou adorando e gostaria de receber mais no meu e-mail

Olá, Jacilda. Obrigada por suas palavras. Para receber os avisos de novas postagens, é só se cadastrar no Tempo de Creche e “curtir” nossa página no face. Abraço

Eu acho muito importante as postagens que recebo pelo”Tempo de Creche” por e- mails, as ideias sugeridas para fazer da adaptação um momento menos doloroso para a criança. Sempre procuro colocar em prática estas sugestões e tem tornado a minha relação com as crianças mais significativas.

Estou deveras, muito feliz em ter encontrado site de vocês, foi o único que me possibilitou leituras e reflexões sobre como trabalhar com a educação infantil infantil atual. Estava atuando como pedagoga com o fundamental ll. Estou estudando suas postagens e confesso que já estou me sentindo segura quanto ao trabalho que exercerei juntos as professoras da creche onde trabalho. Quero agradecer a vocês por ter me deixado compartilhar de suas experiências.

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