Uma dúvida comum entre os professores de educação infantil é o que e como observar as crianças para conhecê-las individualmente, ter uma noção do grupo e avaliar seus percursos de aprendizagem e desenvolvimento.
Já publicamos diversas postagens sobre as estratégias para acolher as crianças no início do período letivo e favorecer as observação ao longo do ano. No final da postagem você encontra algumas delas.
Nesta postagem vamos falar sobre avaliação e a importância do registro nas primeiras semanas do ano letivo para estabelecer um ponto de partida para as avaliações que se seguem no decorrer do ano.

Para a pesquisadora e formadora inglesa Anitra Vickery, a finalidade da avaliação é monitorar os processos de aprendizagem da criança e favorecer o desenvolvimento com propostas adequadas. Anitra ressalta que a avaliação também tem o propósito de registrar os sucessos alcançados na escola.
Com isso, pergunto:
Como constatar os avanços da criança sem comparar com o que ela era capaz de fazer no início do ano?
Como fazer um relatório consistente no final do semestre sem comparar os registros realizados nos diferentes momentos da criança na escola?
Você tem em mãos o início, o meio e o final do processo educativo das suas crianças?
COMO OBSERVAR
Uma avaliação consistente depende de intenção e de organização. Então, só deixar para registrar o que a
criança faz perto das reuniões de pais ou da escrita do relatório individual, não permite demonstrar as conquistas e transformações com consistência.
Lembrando: aprendizagem = transformação.
Por isso que é tão difícil elaborar os relatórios individuais!
É necessário COMPARAR as situações iniciais, o processo em si e, aí sim, contrastar com o que se observa no final do período letivo.
Como fazer isso?
Organize-se para criar um cronograma de observação das crianças, considerando quem, quando e o que será observado. Por exemplo:
“Nesta atividade de pintura vou observar fulano, sicrano e beltrano e perceber como lidam com os materiais plásticos, se colaboram com o colega e quais tipos de marcas deixam no suporte”.
ou
“Na hora do parque, vou observar Mariana, Pedro e Sara e quero constatar o modo como brincam, se já estão no faz de conta, como se comunicam e como participam do momento de arrumação da atividade”.
Estes dois exemplos buscam esclarecer os dois aspectos fundamentais da observação e do registro:
- A escolha das crianças a serem observadas individualmente… porque é impossível observar todas numa só proposta/atividade.
- A escolha das habilidades a serem observadas… porque também é impossível fazer uma observação qualificada de todas as habilidades e competências do currículo.
O QUE OBSERVAR
A BNCC e os currículos municipais sugerem as aprendizagens esperadas para cada faixa etária. Para ajudar a observar os objetivos de aprendizagem, preparei um quadro organizador de questionamentos que pode orientar a pauta do olhar do professor. São aprendizagens a serem conquistadas pelas crianças individualmente, cada uma no seu ritmo e, por isso, o professor precisa respeitar as diferentes trilhas de aprendizagem e acompanhar, registrar e pensar sobre os processos singulares de desenvolvimento.

Aproveite a nossa dica e construa o seu próprio quadro a partir do currículo de sua cidade e da cultura da sua escola. Organize o cronograma de observações das crianças ao longo do dia, da semana e do mês e, certamente ao final do período, você terá em mãos dados para pensar sobre o modo como as crianças chegaram na escola no início do ano e como estão suas jornadas de aprendizagens e conquistas. Principalmente, você terá um valioso instrumento de reflexão para elaborar estratégias de ensino adequadas a cada criança e à turma como um todo, e, ao mesmo tempo, pode pensar sobre a prática pedagógica:
⊗ FATO CONSTATADO: As crianças estão explorando mais as texturas das tintas do que interessando-se pelas próprias marcas.
O que devo focar nas próximas propostas? Quais materiais são importantes nesse momento? Como proporcionar oportunidades exploratórias que levem à descoberta das marcas deixadas pelo pincel?
⊗ FATO CONSTATADO: poucas crianças na sala formam frases com mais de duas palavras.
Quais ações pedagógicas podem estimular a oralidade e a construção de frases mais longas e complexas? Quais oportunidades do dia a dia devo aproveitar para favorecer esta aprendizagem?
Pensar assim é aprender junto: crianças e professores.

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PARA SABER MAIS…
→ Anitra Vickery é professora de matemática dos anos iniciais, formadora de professores e pesquisadora na Inglaterra. É autora do livro Aprendizagem Ativa nos anos iniciais do Ensino Fundamental, Editora Penso, 2016.
→ As postagens que abordam o registro individual, avaliação e relatório são:



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