Palavra de… professor de professor da Educação Infantil: Paulo Fochi
Tempo de Creche conversou com o professor Paulo Fochi sobre bebês. Ouvimos histórias encantadoras e pontos importantes para refletir.
Bebê é bebê!
Tempo de Creche – Como você vê os modismos na relação com os bebês?
Paulo – Os bebês finalmente apareceram, saíram do anonimato. Isso é bom! Como já falou o Tonucci[1], depois do século 19, as crianças passaram a ser percebidas pela sociedade e, naturalmente, os bebês estão sendo.
Parece estranho dizer “as crianças” e “os bebês”, quase soando com algo diferente. Pode parecer que da forma que falei, bebê não é criança. Do ponto de vista acadêmico, de como a ciência vem tratando o tema, os bebês são crianças. Do ponto de vista das crianças, não. Bebê é uma outra categoria. Preciso contar melhor esta história.
O currículo integral e formação de professores na Educação Infantil
Tempo de Creche conversou com Janaina Maudonnet, mestre em educação e especialista em educação em direitos humanos, sobre o currículo integral – ou holístico – e seu potencial nas descobertas da cultura e singularidade das crianças e as demandas na formação do professor na Educação Infantil.
Tempo de Creche – O que é o currículo para a Educação Infantil?
Janaina – Ao tratarmos de currículo na Educação Infantil, estamos falando do modo de organizar as práticas educativas: os espaços, as rotinas, os materiais que disponibilizamos às crianças, as experiências com as linguagens verbais e não verbais que lhes serão proporcionadas e os modos de acolhimento na instituição.
A forma como organizamos essas práticas tem por trás ideias sobre a finalidade da educação, a maneira como os sujeitos aprendem, o que se deseja que eles aprendam, que tipo de homem queremos formar e para qual tipo de sociedade. Trata-se de uma prática complexa, que necessita de permanente reflexão por parte dos adultos que a oferecem.
Aprendizagem dos movimentos
Aprendizagem dos movimentos numa viagem de faz-de-conta
Deslocar-se nos espaços é um assunto sério! Movimentos são linguagem expressiva e recurso de brincadeira. E não se trata somente de mover o corpo. Os movimentos constituem-se numa linguagem que comunica. O crescimento físico e a aquisição das habilidades motoras marcam a primeira infância e são favorecidas quando a criança participa de atividades motoras desafiadoras e lúdicas.
Para que a brincadeira continue!
… O mês de agosto está chegando! O mês de agosto chegou! Agosto … mês bem disposto!
É o início das atividades do segundo semestre e … para que a brincadeira continue veja as sugestões!
E a organização das brincadeiras, novas ou já conhecidas é o ponto de parida para receber as crianças que estavam fora, de férias. Compreender a importância do brincar para a criança é fundamental e deve ser o foco da equipe!
Ampliando a postagem anterior Espírito de férias na brincadeira selecionamos várias propostas para que a brincadeira continue e a diversão não termine!
Quais os movimentos que as crianças mais gostam de fazer? Quais os mais difíceis?
Por meio de pistas ou circuitos com obstáculos como – túnel de tecido, degraus de bancos, bambolês, pneus, cabanas montadas com tatames, proporcionamos às crianças o desenvolvimento e as ampliações gradativa de sua movimentação como o agachar, engatinhar, correr, subir, pular, girar, andar em diferentes planos (no alto, em baixo…) e, assim, desenvolver maior segurança na movimentação cotidiana.
Espírito de férias na brincadeira
Os meses de férias têm uma atmosfera diferente. Sentimos no ar uma mudança no espírito. Parece que o sol brilha mais (mesmo nos dias de chuva e frio!) e a vontade de brincar e alterar a rotina é grande. Essa disposição contamina os pequenos e continua nos primeiros dias do retorno à creche.
Transformar a rotina numa gostosa aventura de férias traz alegria e compensa um pouco a falta de férias das crianças cujos pais trabalham.
Como o número de crianças ainda é reduzido e as faixas etárias diversas, o planejamento pode ser mais brincante e recreativo. Propostas como piqueniques, pequenos passeios no entorno e o uso de materiais e técnicas mais adequadas a pequenos grupos são ideias interessantes. Vale, também, proporcionar atividades sem tempo rígido para terminar, escolhendo aquela que as crianças mais gostam…
Então, está pensando algo diferente para fazer com as crianças durante o mês de julho?
A mudança nas atividades rotineiras envolve as crianças numa aventura e enriquece as pesquisas e as relações. Por que não prolongar essa sensação por mais um tempo e “avançar” em agosto?
As dicas propostas procuram se nutrir da iniciativa e curiosidade infantil. Deste modo, brincar de faz de conta – de casinha, de ir ao supermercado ou a uma festa; colecionar objetos e separá-los em caixas; contar histórias, ouvir poemas etc. traduzem esse interesse.
Experimente!
Therezita Pagani e a criança na pesquisa manual, corporal e sensorial.
No filme Semente do Nosso Quintal, de Fernanda Heinz Figueiredo e no livro De volta ao Quintal Mágico, da jornalista Dulcilia Buitoni, fica muito claro toda a preocupação da educadora Therezita Pagani com a liberdade do brincar da criança. Tempo de Creche conversou com Therezita durante o Ciranda de Filmes 2015.
Tempo de Creche – Quando apresentamos seu trabalho durante as formações, marca muito as educadoras a questão da liberdade e da autonomia que as crianças da Te-Arte tem ao escolher as brincadeiras, os materiais, conviver com as diferentes idades e a estrutura de não amarrar as crianças em turmas. Você pode falar sobre essa crença?
Theresita – Eu acredito neste simples.
Toda a criança não nasce sozinha. Ela nasce em uma família, que pode ser lúdica, pode não ser lúdica, mas ela tem como essência a necessidade de pesquisa manual, corporal e sensorial o tempo inteiro.
Coordenador: Roteiro de ações e formação de educadores
A ação do coordenador da Educação Infantil encontra diferentes desafios no cotidiano da formação de educadores
As solicitações emergenciais capturam o profissional que está, na maior parte de seu tempo, “apagando incêndios”, como dizem alguns profissionais, socorrendo uns e outros. Fica, então, difícil de criar uma forma de ação que estruture e garanta a qualificação da equipe e do trabalho.
Estão sozinhos nessa jornada?
Qual a saída?
Como, então, se preparar para organizar os momentos específicos de atuação da coordenação na sua função particular?
Como acompanhar o trabalho desenvolvido?
É no grupo, acompanhado por um educador, onde, a partir de socializações de nossas reflexões, de nossos significados, entramos em contato com o pensar do outro, gestando o confronto e o conflito com este pensar. Pois sempre pensamos, refletimos, com e para o outro, a favor ou contra. Madalena Freire
Rosa Iavelberg: o processo de aprendizagem do desenho na infância
Rosa Iavelberg, educadora, autora do livro Desenho na Educação Infantil fala sobre o novo olhar para o processo de aprendizagem do desenho na infância.
Rosa, são muito difundidos os estudos sobre as fases do processo de desenho na infância. Há um novo olhar para este processo?
Desenhar não é uma questão de dom. O desenho praticado desde a Educação Infantil pode abrir um mundo novo de experiências simbólicas que expandem a imaginação, a expressão e a capacidade criadora.
O que move a criança a desenhar é sua interação com os próprios desenhos e a sua diversidade presente nos ambientes. Hoje não se compreende mais o desenho da criança passando por fases de desenvolvimento de modo espontâneo e sim, que todos os alunos podem aprender a desenhar com orientação didática adequada sem ter medo de criar.
Josiane Del Corso: o fazer das crianças e as múltiplas linguagens
Na I Mostra Cultura de Infância do Ateliê Carambola Escola de Educação Infantil, Josiane Del Corso, diretora-educadora, nos fala da importância de desenvolver as múltiplas linguagens da criança e de registrar e revelar o seu fazer.
Tempo de Creche – Porque fazer uma exposição tão pensada e elaborada numa escola?
Jo – Esta I Mostra Cultura de Infância, tem este nome intencionalmente. É a forma como eu acredito que a gente deve revelar o fazer da criança. Fizemos mostras de processos dos trabalhos (das crianças), mais do que o produto em si, que em parte não fica visível (materialmente). A produção da criança é o processo. Eu sempre brinco que chamamos essa forma de documentar de processos documentais, que seriam tudo que a criança viveu no decorrer de um ano, para compartilhar com a família, a comunidade e com os professores. Os vídeos (presentes em todas as salas da mostra) apresentam o fazer da criança na ação, para visualizar a produção. O vídeo e a foto acabam se tornando a forma de revelar a aprendizagem. Este é o motivo desta mostra. É como nós concebemos a infância, com crianças potentes e ativas no processo de aprendizagem. Que venham outras mostras culturais da cultura de infância!
Conexões: a poética das crianças de 0 a 3 anos e a arte contemporânea
O Instituto Avisa Lá convida educadores a participar do III Encontro de arte contemporânea e a criança pequena, nos dias 27, 28 e 29 de novembro. O encontro abordará o projeto Conexão: a poética das crianças de 0 a 3 anos e a arte contemporânea.






