Protagonismo infantil em três relatos práticos
Quer conhecer três projetos que valorizam o protagonismo infantil?
Confira os depoimentos de professoras sobre práticas de projetos que percorreram o ano de 2015 na Escola Primeira, São Paulo.
No final de novembro visitamos a V Mostra Cultural da Primeira: Lá…tão longe, tão perto! organizada pela equipe pedagógica para dar visibilidade às profundas aprendizagens das crianças ao longo do ano. A mostra apresentou uma síntese reveladora daquilo que foi mais significativo para as crianças e, ao mesmo tempo, proporcionou experiências estéticas com os registros e produções selecionadas.
Veja a postagem Palavra de… Bia Nogueira: atelierista para conhecer mais sobre essa mostra da Escola Primeira.
1- Da minha janela eu vejo o mundo
Faixa etária: 18 a 24 meses
Professora responsável: Talita Pereira de Freitas
Auxiliar: Arline Midori Zamparo
Atelierista: Bia Nogueira
Este ano o trabalho da professora Talita com sua turma começou diferentemente dos anos anteriores. Suas crianças só queriam ficar dentro da sala. Segundo a Talita, geralmente os pequenos querem ir ao parque e correr, mas estes não. Com isso, começou a ideia de trabalhar o acolhimento se abrigando em ninhos, que, mais tarde, evoluiu para a construção das caixas, algumas delas expostas na mostra.
Para não deixar a pesquisa na “caixa pela caixa”, as crianças e a professora começaram a explorá-la com os sentidos. Tudo partiu de uma das crianças que degustava um alimento. O projeto começou a caminhar pelas várias formas de exploração dos sentidos: sons, gostos, cores, cheiros e sensações do tato.
Arte, cultura, expressão e a Base Comum Curricular
A Arte faz a comunicação onde não existem as palavras.
O desenvolvimento social, emocional e cultural de crianças se transforma com o impacto das experiências artísticas.
O que a Base Nacional Comum Curricular fala sobre isso?
Segundo artigo do MOCHA (Museum of Children’s Art – Califórnia, EU), arte na educação infantil é essencial. Ela serve como primeira língua, preparando o terreno para falar, ler e escrever. As experiências artísticas impactam o desenvolvimento social, emocional e físico de crianças de 0 a 5 anos.
Ao envolver as crianças em ambientes e propostas artísticas, contribuímos com a promoção do desenvolvimento do senso estético, da criatividade, motricidade e cognição.
O texto da versão provisória da Base (BNCC) aponta para a o contato com as culturas locais e de outros países, exploração de materiais, recursos tecnológicos e de multimídias, e a realização de produções prazerosas e inventivas com gestos, sons, traços, danças, mímicas, encenações, canções, desenhos, modelagens, para desenvolver a sensibilidade das crianças.
Aproximar a Arte como conteúdo e ferramenta da educação de crianças pequenas vem sendo apoiada em práticas por todo o mundo e no Brasil. Muitos estudos ratificam a percepção de que Arte, cultura e expressividade contribuem de maneira fundamental no desenvolvimento infantil.
Destacamos 16 razões que apoiam esse pensamento:
Base Nacional Comum Curricular: a criança como protagonista
O texto provisório da Base Nacional Comum Curricular reforça a visão da criança como PROTAGONISTA das ações educativas das instituições de Educação Infantil.
PARTICIPAR, com protagonismo, tanto no planejamento como na realização das atividades recorrentes da vida cotidiana, na escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo linguagens e elaborando conhecimentos (BNC, p. 20 – Documento de Consulta Pública).
Esse direito é o embasamento que encaminha a forma de pensar as ações nas Creches e EMEIs. Isso significa que os planejamentos de propostas devem partir dos interesses das crianças, identificados nos registros das ações do dia a dia.
Pense bem: as propostas e atividades não devem partir das ideias “independentes” dos professores!
Assim, por esta compreensão da aprendizagem, a criança pequena aprende a partir de seus interesses, de sua vontade de pesquisar e dos desafios que encontra.
Base Nacional Comum Curricular: uma referência prática? Você decide!
Você conhece e utiliza os documentos referenciais e orientações curriculares na sua prática? Já ouviu falar da Base Nacional Comum Curricular?
O PNE – Plano Nacional de Educação prevê a elaboração de (mais!) um documento orientador para as práticas da escola: a Base Nacional Comum Curricular, em processo de tramitação no congresso.
Nesse documento, profissionais especialistas e interferências da sociedade pretendem construir coletivamente os “direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos”.
O material foi elaborado com uma dinâmica fácil de ser percebida: 6 direitos de aprendizagem na Educação Infantil são reconhecidos como objetivos de aprendizagem a serem implementados em 5 campos de experiência. Nessa abordagem o professor tem 30 dimensões a serem trabalhadas com as crianças de 0 a 6 anos. Veja a tabela abaixo.
Um relato sobre relações e aprendizados na prática de Reggio Emilia
Registro e Documentação Pedagógica são ferramentas imprescindíveis para dar contorno ao trabalho pedagógico desenvolvido em Reggio Emilia. Diversos relatos publicados em livros podem ilustrar a forma como as equipes pedagógicas realizam suas práticas, os registros e as reflexões provenientes da análise desses materiais. Destacamos um relato do capítulo Uma mensagem de grupo, extraído do livro Tornando visível a aprendizagem: crianças que aprendem individualmente e em grupo para aprofundar o olhar sobre as relações, as conquistas de um grupo de crianças e de sua professora.
Numa das escolas de Reggio Emilia é desenvolvido um projeto permanente de Caixas de Correspondência (ou de comunicação à distância). Todos participam: crianças, professoras, atelieristas e cozinheiras. São caixas individuais, uma para cada criança e profissional da equipe.
Dedoche: uma experiência de expressão e relação
O final do ano já se avizinha! As brincadeiras já estão mais do que conhecidas? Que tal inovar, trabalhando expressão, identidade, relações e faz de conta com dedoches pintados nos dedos?
A nova estação traz mudança de espírito… Com a passagem da primavera para o verão, o sol brilha cada vez mais forte, e as crianças estão cheias de energia e curiosidade. Essa disposição também contamina os educadores, que procuram novidades para introduzir e ampliar as possibilidades de brincadeiras.
A linguagem das crianças é o brincar…
O desenvolvimento da capacidade de se relacionar depende, entre outras coisas, de oportunidades de interação com crianças da mesma idade, com as de idades diferentes e em diversas circunstâncias. Pensar em situações que facilitem as oportunidades de interação demanda planejamento.
Dúvida de leitora: descanso ou sono? Livre ou obrigatório?
Uma leitora do Tempo de Creche ficou com dúvida ao ler a postagem Vivências, experiências e os tempos da criança: na creche podemos falar em momento de sono ou de descanso, livre ou obrigatório? “Percebo que na minha creche as crianças parecem não querer dormir, no entanto não encontro um teórico que fundamente a obrigatoriedade do sono.”
Crianças chegam à escola com sua singularidade e os hábitos que trazem de casa. Forçar um momento de dormir não é natural e nem apropriado se os pequenos não querem e não tem o hábito.
A quantidade de sono varia em função da idade das crianças. Bebês até 4 ou 5 meses de vida costumam dormir em torno de 16 horas por dia. Para eles é importante dispor de berços. Quando começam a engatinhar é hora de ir para o chão! Por meio de uma fase de adaptação, esses pequenos podem começar a experimentar o sono ou descanso no colchonete porque podem ter a liberdade de sair sozinhos assim que despertam.
Vivências, experiências e os tempos da criança
Os tempos da criança, do professor e da escola são os mesmos?
Existem “tempos diferentes”?
Percebemos diferenças importantes nas dimensões temporais das crianças e suas brincadeiras, nos planejamentos dos professores e nos esquemas de funcionamento das creches e escolas. Conhecer e lidar com as características das diferentes demandas de TEMPO, como nas brincadeiras, na organização das rotinas e nos horários da creche e da escola, são questões que atravessam nosso dia a dia.
Segundo alguns dicionários, TEMPO é a duração dos fatos, é o que determina os momentos, os períodos, as épocas, as horas, os dias, as semanas, os séculos etc.. É a ideia de presente, passado e futuro e o período no qual os eventos se sucedem.
Palavra de… Sylvia Nabinger: filosofia e práticas Emmi Pikler
Hoje, por todo o Brasil, acontecem estudos, reflexões e discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular e as práticas pedagógicas na Educação Infantil. Nesse contexto, no próximo mês, em Florianópolis e São Paulo, Anna Tardos, Agnès Szanto Feder e Myrtha H. Chokler compartilham com os professores da primeira infância a filosofia Emmi Pikler.
Tempo de Creche vem aprofundando a discussão sobre os cuidados e a educação de bebês numa série de postagem. Nesta publicação conversamos com a presidente da OCIP Acolher, Sylvia Nabinger, uma das pioneiras na implementação desta filosofia no Brasil.
Bebês, uma aventura passo a passo na visão de Emmi Pikler
Tempo de Creche – Como a filosofia Emmi Pikler vê o bebê?
Sylvia – O bebê experimenta a aventura, descobre tateando, reproduz, coordena cada aquisição à medida que segue seu caminho, enfatizava Emmi Pikler. Essa afirmação mostra a importância de respeitar todas as manifestações espontâneas do bebê, a ordem e o ritmo de seus aparecimentos. A continuidade desse processo, em que o bebê é ator e autor, aponta para o significado de que o exercício de cada passo, não apenas prepara, mas serve de base para o passo seguinte: “é importante não contrariar esse processo interferindo ou expondo o bebê a posturas que ele ainda não descobriu sozinho ou que ainda não é capaz de adotar, retirando assim sua alegria de descobrir por si próprio e sentir segurança em suas próprias capacidades”. Segundo Myrtha Chokler adiantar as posturas é adiantar os fracassos.
O que crianças pequenas entendem sobre projetos?
Temos o hábito de nomear “projeto” as atividades ligadas a uma temática comum como, por exemplo, Projeto Teatro de Sombras, Projeto Lagartixas e Lagartos, Projeto Construindo Cidades, Projeto Horta, Projeto Bumba meu boi etc.. Mas…
…será que são mesmo “projetos”?
Refletindo a partir da prática, vamos imaginar que um grupo de crianças se interessa pela Lua (por meio de uma história, um filme, uma conversa na roda, a Lua que se mostra no céu do dia etc.). O professor percebe, registra e planeja intervenções para ampliar descobertas:
Onde fica a Lua? Perto, longe …
Como ela é? Qual a sua cor?
O que tem lá?





