Remexendo no planejamento e no registro pedagógico
Planejamento e Registro são instrumentos valiosos e fundamentais da prática pedagógica que precisam ser cutucados e repensados de tempos em tempos. Elaboramos um percurso de palavras e conceitos que estruturam bons planejamentos e registros consistentes, para movimentar e provocar reflexões e até novas experiências de registrar e planejar.
Para começar…
Pensar no cabeçalho. É preciso formalismo e disciplina para organizar e sistematizar as informações. Costumamos acreditar que a memória dá conta de tudo, “que nunca esqueceremos aquele fato” e “que poderemos explicar melhor quando alguém tiver dúvida”! Mas não é assim. Porque vamos acumulando um grande número de “fatos inesquecíveis”, não somos um banco de memórias e nem sempre estaremos próximos de quem pode ler e se alimentar dos nossos registros. Assim, é importante anotar as informações básicas do planejamento e do registro: professor, turma, data, nome da atividade e projeto (se for o caso).
Em seguida, detalhar o espaço, os materiais e a organização dos mesmos. Já abordamos em diversas postagens a importância do Espaço Propositor para as experiências das crianças, portanto, detalhar o planejamento da arrumação do espaço é fundamental para orientar o professor no momento de colocar em prática a proposta. Também é importante registrar como o espaço organizado influenciou o desenvolvimento da atividade para ter novas ideias.
Esse bloco de informações se encerra com o fator tempo. No planejamento, o tempo é uma hipótese a ser calculada:
Qual o melhor momento do dia para propor a atividade?
Quando as crianças estão no clima da proposta pensada pelo professor?
De acordo com a experiência do professor, quando ela deve ser implementada de modo a garantir que as crianças tenham tempo suficiente para brincar, pensar, experimentar e finalizar as pesquisas?
Já no registro, o tempo entra como fator a ser avaliado. O momento da atividade foi bem escolhido? Foi propício para as crianças “entrarem no clima”? A duração da proposta ocorreu como o previsto? As crianças queriam continuar na atividade mas a rotina do dia impediu as experiências? Ou as brincadeiras se encerraram antes da previsão do professor e essa questão precisa ser repensada?
No planejamento…

É a vez dos objetivos. O que o professor espera que as crianças façam? Pensar em verbos é o modo mais fácil de entender o que são os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento elencos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC):
Palavra de Marcela Chanan: os bebês e as interações na escola
Agosto está chegando e a escola volta a trabalhar no ritmo do acolhimento e de um processo de “mini-adaptação”. Geralmente nos meses de julho, os pequenos voltam a passar um tempo prolongado com as famílias e, no final das férias, deixar o colo da mamãe não é tarefa fácil para ninguém! Conversamos com a pedagoga e especialista em Educação de 0 a 3 anos, Marcela Chanan, também autora do blog Cultura Infantil, para fazer uma série de postagens, inspiradas em Winnicott, que retoma as questões que cercam o momento delicado da adaptação, tão constituinte das relações da criança no ambiente escolar. Esta é a primeira parte.
Tempo de Creche – Como você vê a escola na constituição da identidade do bebê?
Marcela – O bebê existe a partir da relação com o outro, a mãe ou quem exercer essa função. Donald Winnicott (1896-1971), pediatra e psicanalista inglês, fez várias contribuições para a psicanálise, dentre elas, a concepção teórica que enfatiza a importância das relações do bebê e da criança pequena com o ambiente.
Férias: um tempo para pensar no respeito ao TEMPO do educador
Diversas creches e escolas de educação infantil estarão de férias ou em recesso por alguns dias no mês de julho. Após seis meses de trabalho focado na educação e no cuidado de crianças pequenas – energéticas, criativas e preciosas – estamos cansados!
Nos horários de trabalho, os professores são polvos com 8 braços, atletas maratonistas e camaleões, com olhos que enxergam até atrás da cabeça!
Mas não é só isso. Como é o tempo do educador na escola?

Esses profissionais são escritores da própria prática, documentaristas das histórias que vivem com as crianças e arquitetos que planejam a estrutura educativa oferecida nas instituições de educação.
A excelência tem que ser um objetivo!
Cibele Racy é diretora da EMEI Nelson Mandela, pré-escola da cidade de São Paulo. Ela faz um trabalho revolucionário, transformando a instituição em exemplo de educação inclusiva e competente. Cibele deu um depoimento sensível e contundente para o programa Conversa com Bial que precisa ser compartilhado com outros educadores e ficar registrado no Tempo de Creche.
Apesar das diversas postagens publicadas sobre a diretora, abordar mais um pouco da sua história traz inspiração.

Cibele conta que assumiu o cargo há mais de 12 anos na Nelson Mandela, quando a escola era vista como instituição de educação para quem não tinha outra opção. Desde o início de sua gestão, Cibele ouviu… ouviu as crianças, ouviu os professores, ouviu as famílias e ouviu a comunidade!
A escuta atenta não ficou no “acolhimento de lamúrias”! A diretora refletiu sobre as críticas e os desejos, priorizou as solicitações, planejou os encaminhamentos e começou pelos banheiros!
10 sugestões de materiais e brincadeiras para a hora do parque
Existem brincadeiras de parque e BRINCADEIRAS DE PARQUE!
Quem não lembra do prazer e da alegria de brincar na praça e no parquinho da escola? Só de tocar no assunto nosso corpo é invadido por um conjunto de sensações: liberdade, exploração, desafio, criação, encontro com colegas, sol, vento… e descobertas. Sim, este último ingrediente apimentava as brincadeiras e as nossas lembranças. Vivências, novidades e interação com os colegas nos faziam pensar em possibilidades e mudavam o curso das brincadeiras, desafiando a elaboração de narrativas, a imaginação, o pensamento simbólico, a negociação, a criatividade, a resolução de problemas e as relações.
Por isso, quando dizemos “as crianças saíram para o parque e estão brincando e aprendendo”, é preciso pensar na qualidade das brincadeiras e, consequentemente, das aprendizagens.
Provocações (“e se a gente brincar de floresta, como ela seria?”; “e se a gente brincar que na rua da casinha tem outras casinhas, lojas, mercador, restaurantes… como seria essa brincadeira?”) e novos elementos e intervenções conferem complexidade à brincadeira. É a observação atenta do professor, que procura nos enredos inventados pelas crianças, modos de enriquecer a brincadeira.
Brincar todos os dias no mesmo parque é sempre divertido e importante para as crianças, mas, como escola, buscamos a complexidade e o aprofundamento das aprendizagens. Por mais que o parque seja em si um ambiente grande e repleto de possibilidades, novas provocações representam combustível para as brincadeiras.
Isso não quer dizer que temos que dirigir o brincar! Mas é preciso intervir com provocações. As crianças são movidas por novos desafios e têm a liberdade de aceitar ou recusar o “convite” deixado sutilmente pelo professor.
Preparamos um repertório de sugestões para apimentar a hora do parque. No momento em que o professor compreender os interesses e as demandas de sua turma, o céu é o limite para inventar!
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INTERVENÇÕES PARA A HORA DO PARQUE
1- Espaço transformado
Um tecido estendido no trepa-trepa, uma corda amarrada para dividir o espaço, uma cabana, algumas caixas e caixotes. A simples introdução de um destes elementos transformadores já é suficiente para modificar o espaço e as narrativas das brincadeiras.

Coordenador pedagógico e formação de professores: tudo a ver!
O papel do coordenador pedagógico ainda é nebuloso para muitos educadores e instituições. Seja por falta de clareza das atribuições deste profissional, seja pelas condições de trabalho pouco favoráveis, frequentemente a função de formador atribuída ao coordenador é atropelada pelo “bombeirismo pedagógico” (Madalena Freire). Cobrir a falta do professor, atender o familiar que chegou de repente, sair correndo para comprar material e atender o telefone, são alguns dos incêndios que o coordenador se sente obrigado a apagar no seu dia a dia que, infelizmente, rouba suas atenções e o afasta da formação continuada da equipe.
A realidade das creches públicas brasileiras está caminhando cada vez mais para o modelo conveniado. As prefeituras tem estabelecido convênios com instituições particulares (Associações, ONGs e OSCIPs) para compor uma parceria em torno da educação das crianças de 0 a 3 anos e 11 meses.
O problema dessa iniciativa é que os valores repassados pelas prefeituras aos parceiros não sustentam o pagamento de horários rotineiros e exclusivos de formação, estudo, pesquisa e planejamento dos profissionais. Assim, a formação da equipe e o acompanhamento individual do trabalho docente é raramente implementado.
Ah, mas existem as paradas pedagógicas mensais!
O encontro mensal que reúne toda a equipe é utilizado para discutir assuntos administrativos, implementar a avaliação anual (indicadores de qualidade), organizar os espaços e materiais planejados para as atividades e preparar eventos e celebrações. Sobra pouco tempo para trabalhar questões formativas que, quando abordadas, acabam por se perder no longo intervalo entre uma parada e outra.
Uma creche com muito a ensinar: NEIM Albert Sabin
Ao conhecer outras instituições podemos pensar sobre novas ideias, comparar modos de ser e agir e somar saberes. Observamos que existem situações e problemas comuns e descobrimos soluções. Percebemos também que existem contextos e problemas diferentes dos nossos que, ainda assim, alargam o nosso olhar.
Visitamos uma creche que tem muito a contar.
Fomos convidadas para fazer o lançamento do livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertasno NEIM* Albert Sabin, localizado no Guarujá, cidade do litoral de São Paulo, coordenado por Vanessa Menezes dos Santos e Alexandra Nunes Oliveira e dirigido pela Ivoneide Francisca de Araújo.
Já na chegada fomos surpreendidas. Junto conosco, chegou um pai representante da associação de pais, que, numa conversa rápida com a Vanessa, combinou os próximos passos para cuidar “daquele probleminha no telhado”.
Quando o simpático pai foi embora, Vanessa comentou que a comunidade escolar da creche era composta por famílias interessadas e envolvidas nos projetos da instituição. Para entender esse contexto, nos levou para conhecer um espaço recém reformado pelas comunidade e pela equipe da creche. Uma área em desuso abrigou um projeto coletivo: a construção de um pedacinho de natureza e brincadeiras.

Repensando o velho caixote de brinquedos…
Crianças aprendem brincando, mas não nascem fazendo isso sozinhas.
É pelas primeiras brincadeiras com a mãe, que os bebês aprendem uma linguagem que dominarão com maestria: o brincar.
Aí você olha para a prateleira da sala, avista o caixote de brinquedos… e pensa: minhas crianças brincam todos os dias!
Será? O mesmo caixotão promove brincadeiras interessantes ao longo do ano?
Quais brincadeiras o caixote de brinquedos pode proporcionar? Vamos refletir sobre isto?
Brincar é um estado de graça para a criança. Nós, adultos, perdemos a conexão com a brincadeira porque a sociedade dos “crescidos” rotulou o brincar como perda de tempo para quem tem responsabilidades e atribuições!
Hoje a brincadeira das crianças é garantida por lei, ao menos na primeira infância.
Por que será?
Será porque as crianças ficam felizes quando brincam?
Será porque levam suas visões do mundo para um território seguro?
Será porque inventam?
Será porque descobrem sobre si e o outro?
Será porque aprendem?
É tudo isso junto e muito mais. A brincadeira é uma linguagem que permite interagir com os adultos, as outras crianças, com a cultura, a natureza, os espaços e os materiais. É nesse território que a criança elabora suas experiências, pensa (fazendo!) sobre o que percebe do mundo, exercita a comunicação, as relações sociais e a negociação, a exploração dos objetos, a elaboração de narrativas (faz de conta) e, com tudo isso, pode aprender e se desenvolver.
Atividades para criança criativa: o que significa isto?
Um grande número de atividades de creches e pré-escolas apresentadas nas redes sociais nos fazem pensar sobre a qualidade da educação praticada com as crianças pequenas. Ainda é possível observar que muitos educadores valorizam as “atividades” e esquecem do personagem principal de todo e qualquer planejamento pedagógico: a criança criativa, seus interesses, necessidades e percursos de aprendizagem e desenvolvimento.
Muitos dos conteúdos pedagógicos da Educação Infantil postados nas redes sociais pertencem a um universo ultrapassado da Educação Infantil.

Tabelas, percursos reflexivos e instrumentos: conheça a organização dos conteúdos do livro do Tempo de Creche
O livro Educação Infantil: um mundo de janelas abertas foi escrito a partir das interações dos leitores do Tempo de Creche com o site e o Facebook. A estrutura do livro, as fotos, a fundamentação, os depoimentos dos parceiros e as situações práticas foram pensadas para contemplar dúvidas, necessidades e reflexões expressadas pela comunidade de leitores. Assim, o “jeitão” do blog está no livro! Sem caminhos facilitados por receitas e fórmulas prontas de atuação, mas com pensamentos, dicas, repertório, provocações… e as nossas tabelas com conteúdos organizadores, sugestões de instrumentos para planejar, observar e refletir e muitas perguntas para trazer a prática do leitor para a “conversa”. Educação Infantil: um mundo de janelas abertas é um instrumento vivo para o professor ler, reler, argumentar consigo e com os colegas, copiar, recriar e usar. — • — • — • — • — • — • — • — • — • — • — • — • — • — ACESSSE A LOJA VIRTUAL DA EDITORA PARA ADQUIRIR O LIVRO COM O DESCONTO DE PRÉ-LANÇAMENTO: de R$ 99,00…


