Planejamento 2019: um diálogo com a BNCC
Baixe o material, pense sobre o roteiro e os questionamentos e elabore sua pauta de reunião para construir o Planejamento 2019 com sua equipe.
Que escola queremos para as crianças e suas famílias?
A educação infantil é aquilo que queremos que ela seja.
Mas o que queremos que ela seja? Uma instituição voltada só para a criança? Ou um fórum, um lugar de encontros, cultura e educação para a sociedade?
Como a escola pode ser um espaço inclusivo para a sua comunidade?
Como as famílias, os moradores do entorno, os professores e os alunos podem se sentir pertencentes para interagir e desfrutar desse polo de educação e cultura?
Quem participa da educação das crianças nas creches e pré-escolas?
Qual o sentido de viver o cotidiano da Educação Infantil?

Se acreditamos em aprendizagem pela experiência e experimentação, a escola também deve pensar sobre suas experiências, crenças e políticas, contestar e resistir àquilo que não acredita, para poder se reinventar.
Barro e argila: lugar de honra nas culturas da infância
Publicamos a postagem Qual o lugar da modelagem no desenvolvimento das crianças? para começar uma conversa sobre a modelagem na educação infantil. Agora convidamos a artista-educadora Beatriz Nogueira (Bia) para mexer num ponto importante dessa questão: qual a nossa relação com o barro? Costumamos experimentar trabalhar esse material? Brincar com ele? Sentir de todas as suas características? … tudo isso para poder apresentá-lo para as crianças! Bia explica os percursos de um trabalho formativo desenvolvido com professores e as dicas para colocar a argila no lugar de honra na rotina da educação infantil.

Na voz da Bia…
Que tal recorremos às memórias pessoais das brincadeiras com o barro? Se abrirmos nossas bagagens, encontraremos lembranças das experiências que vivemos, seja debaixo de uma forte chuva, onde deixamos as marcas dos pés num lamaçal, seja pisando no fundo fofo e barrento de um rio ou mesmo da beira mar. Brincadeiras de fazer buracos, muros, castelos, riscando com gravetos ou simplesmente afundar os dedos dos pés sem mais nem porque.
Tal como a areia, o barro é presença fundamental nas culturas da infância e podem ser inúmeras as maneiras para aproximar barro e argila do cotidiano das crianças na escola.
Participei de um encontro de formação para educadoras e educadores da educação infantil a convite da equipe do Tempo de Creche e decidimos dedicar uma postagem para compartilhar as ricas experiências que vivenciamos naquele dia. Espero com essa partilha fomentar ideias que provoquem novas inspirações.
BARRO E ARGILA: IGUAL OU DIFERENTE?
Leitura de livros para crianças: como e por quê?
Para pensar sobre leitura de livros para crianças algumas questões orientam as ideias e levantam sugestões a partir das postagens sobre o tema. Promover a linguagem oral e o contato com os livros é preocupação constante da Educação Infantil.
Um guia para a jornada do relatório individual
A hora do relatório individual! Nessa época, escolas, professores e coordenadores se encontram numa temporada de muito trabalho. É o momento de colocar em teste os registros do professor e a seleção de materiais produzidos pelas crianças. Mais do que isso, é a hora de pensar sobre todas as reflexões realizadas no período. É o momento de compor uma narrativa que expresse a trajetória de cada criança, com suas singularidades e conquistas. É também a hora de dar a devolutiva para as famílias, estreitar as relações e chegar ao próximo semestre com uma parceria solidificada e comprometida.
Se você já fez e entregou seus relatórios, pode utilizar os roteiros que propomos nesta postagem para acompanhar suas observações e registros e facilitar o trabalho do final do próximo semestre.

- Quais registros foram feitos?
- Quais reflexões apontaram as jornadas de aprendizagem das crianças?
- Quais questões quero responder por meio dos relatórios?
- Quais foram os meus principais desafios no semestre e quais os desafios encarados pelas crianças?
- Quais narrativas importantes tornam visíveis as aprendizagens?
- Como traduzir as experiências em palavras? Dá para traduzir as emoções?
Organizamos dois quadros facilitadores com perguntas que podem orientar e encaminhar um roteiro para a elaboração do relatório individual reflexivo. Ao percorrer essa jornada, acreditamos que não somente os pais vão se beneficiar, mas você poderá encontrar inspirações para transformar em prática rotineira o encaminhamento dos interesses e aprendizagens das crianças.
Vamos partir dos Campos de Experiências, que incluem os diversos aspectos da vida das crianças na escola. Porém, é preciso ressaltar que o roteiro proposto não tem a intenção de avaliar as crianças e atribuir julgamentos. Propomos uma pesquisa sobre as aprendizagens e o desenvolvimento singular. Cada criança escolhe um caminho e um ritmo para crescer. Algumas brincaram mais no campo das relações, outras investiram na linguagem, outras experimentaram os fenômenos da natureza. Cada uma no seu caminho certamente aprendeu e floresceu. Apresentar esse percurso individual é a finalidade dos Quadros Facilitadores que elaboramos. Nem todos os campos de experiências terão o mesmo peso e, consequentemente observações, registros e reflexões por parte dos professores.
Qual o lugar da modelagem no desenvolvimento das crianças?
São inúmeras as possibilidades das crianças se expressarem artisticamente no dia a dia da educação infantil. E as diferentes técnicas e linguagens da Arte não precisam ter limites entre uma e outra. Para a pesquisadora Rhoda Kellogg, a linha está presente tanto no desenho das crianças quanto na modelagem.
Nesse contexto, o repertório de atividades expressivas oferecidas nas escolas me inquieta: por que ficamos presos a propostas bidimensionais, como desenho e pintura? Trabalhamos suficientemente as representações tridimensionais? É importante que a criança modele? Quais benefícios a experiência com a modelagem provoca nos pequenos? Qual o lugar da modelagem na Educação Infantil?
Segundo estudos promovidos pela UNESCO, as habilidades espaciais estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento das habilidades de matemática e de ciências. Apoiada sobre estes resultados, a UNESCO afirma que o desenvolvimento da espacialidade na primeira infância é determinante para que a criança realize operações numéricas por volta dos 8 anos.
Atividades que “dão certo” e que “não dão certo”: o que pensar desta classificação?
Ultimamente tenho ouvido a expressão deu certo para qualificar atividades, projetos e propostas oferecidas às crianças da educação infantil.
O que isto quer dizer?
O que esta expressão esconde?
Quais pensamentos pedagógicos estão por trás desta classificação?
Nos nossos momentos de formação, ouvimos muitos professores avaliarem suas propostas com as expressões deu certo, deu tão certo, não deu muito certo… Fiquei intrigada com as colocações e fui investigar.

Conversando com os docentes, percebi que quando uma atividade dá certo, ela implica em situações de envolvimento das crianças no que é proposto, adesão da maioria, produção de um produto final que atenda às expectativas do professor, pouca agitação e momentos de diversão. Será que dar certo é isso? Uma atividade precisa dar certo? As atividades devem divertir? O que pensar quando dá errado?
Convido você a refletir sobre estes questionamentos!
1. Quando um planejamento dá certo, ele provavelmente atingiu os objetivos estabelecidos. O que me leva a perguntar: quais objetivos foram pensados para as propostas? Objetivos pedagógicos envolvem expectativas de APRENDIZAGEM. Especialmente depois da BNCC, temos mais clareza sobre as aprendizagens que são esperadas para as crianças de 0 a 6 anos. Desse modo, ao avaliar a atividade, o professor precisa partir das aprendizagens das crianças e dos objetivos imaginados por ele no planejamento.
Livro didático para professores da educação infantil: por que tanta polêmica com o PNLD?
Estamos intrigadas. Porque os livros didáticos do MEC para a Educação Infantil estão causando tanta polêmica? Por que não estão sendo apresentados para que educadores de creches e pré-escolas emitam suas opiniões e escolham uma das obras selecionadas pelo MEC? O que está acontecendo? Vamos analisar essa questão.

Nas minhas andanças de formação, tenho encontrado posturas preocupantes frente ao PNLD da Educação Infantil. Diversos profissionais e secretarias municipais têm manifestado resistência para conhecer, avaliar, escolher e adotar os livros que foram selecionados por uma comissão de educadoras habilitadas e competentes.
Vamos esclarecer e pensar sobre o PNLD-Educação Infantil :
- O que é PNLD?
É a sigla utilizada para oPrograma Nacional do Livro e do Material Didático. São livros didáticos, literários e materiais de apoio GRATUITOS, destinados aos professores e alunos de escolas públicas municipais, estaduais e federais e de instituições conveniadas, como grande parte das creches municipais. O programa existe desde 1937 e é a primeira vez que temos um edital exclusivamente voltado para PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL. Como os livros foram atrelados à BNCC, a resistência a ela tem gerado resistência aos livros.
- Como são os livros do PNLD da Educação Infantil?
São obras escritas por autores respeitados, valorizados e seguidos pela comunidade de educadores da Educação Infantil. São livros conceituais, voltados EXCLUSIVAMENTE para a formação dos professores, coordenadores e diretores de creches e pré-escolas. Nosso livro em particular (Práticas comentadas para inspirar), COMENTA de inúmeras práticas, mas NÃO DITA MODELOS! Quem acompanha o Blog Tempo de Creche, sabe como pensamos a respeitos das práticas docentes voltadas para as crianças pequenas. Nas mais de 400 postagens não há uma prática sequer que deixe de valorizar o contexto das atividades, que não apresente os percursos do planejamento professor e que não exponha os registros reflexivos. Nosso livro para o PNLD não é diferente. As reflexões sobre práticas reais foram relacionadas aos Campos de Experiências, que não são exclusividade da Base brasileira e foram inspirados no currículo italiano, um dos mais adotados pelos países com os melhores padrões de educação do mundo.
Wallon: teoria e prática dos estágios do desenvolvimento da criança
A experiência do professor embasa e qualifica sua ação.
Mas a teoria alicerça e fundamenta a experiência.
Na semana em que celebramos a Educação Infantil, preparamos tabelas organizadoras dos marcos do desenvolvimento das crianças, inspiradas nos estudos de Wallon.
A experiência prática do professor certamente contribuirá para uma leitura proveitosa e contextualizada da teoria do grande pensador francês, para embasar reflexões e planejamentos de atividades.
Henri Wallon, médico, filósofo e psicólogo francês, viveu de 1879 a 1962. Foi defensor do interacionismo, uma abordagem que entende que os indivíduos se desenvolvem a partir de suas características biológicas, em interação com o meio onde vivem (ambiente e pessoas). Autor da Teoria Psicogenética do Desenvolvimento, Wallon propõe uma série de estágios do desenvolvimento, que podem ajudar o professor a compreender os processos de aprendizagem das crianças e adiantar as possibilidades das fases posteriores. Para o pesquisador francês, os estágios não são etapas rigidamente estabelecidas, porque os conflitos internos e externos das crianças promovem reviravoltas que compõem os percursos individuais.
OS EIXOS DA TEORIA:
- Os indivíduos são formados pela INTEGRAÇÃO do corpo com o ambiente.
- São constituídos por uma parte afetiva, uma parte cognitiva e uma parte motora. TUDO INTEGRADO E MISTURADO!
- As crianças se desenvolvem em estágios.

GEP – grupo de estudos sobre projetos: uma trilha de aprendizagens do professor
A educadora, fundadora e coordenadora do Grupo de Estudos sobre Projetos/GEP, Alice Proença, promove o aprendizado de professores e coordenadores, por meio de grupos de estudos. No final de cada semestre, organiza uma exposição que revela as descobertas singulares dos participantes. Estruturado para desafiar o olhar dos educadores, refletir em grupo sobre práticas pedagógicas e promover estudos e discussões, os grupos são compostos por pessoas com diversas experiências profissionais: gestores, coordenadores, professores e estagiários. Neste final de semestre, os caminhos e os conhecimentos produzidos foram expressados no conceito COM-PAR-TRILHAR.

Este ano, o estudo capítulo a capítulo do livro Arte e Criatividade em Reggio Emilia, de Vea Vecchi, está sendo o guia dos trabalhos. É um percurso coletivo de conquista de saberes do grupo, de aprendizados individuais e de crescimento profissional, apresentados numa documentação voltada para a equipe pedagógica. Um processo de formação e crescimento dos alunos-professores pode ocorrer também na escola. Acompanhe a entrevista realizada com Alice e seus alunos, que têm um modelo enriquecedor de formação continuada para compartilhar.
