Reabertura da Educação Infantil: uma volta sem pressa

Reabertura da Educação Infantil: uma volta sem pressa

“Uma volta sem pressa”, este foi o lema da Escola do Bairro que manteve ativas suas atividades presenciais desde setembro de 2020. Como fizeram isso sem que a Covid-19 contaminasse a comunidade? Gisela Wajskop, diretora e fundadora da escola, conversou conosco e compartilhou tudo o que sua equipe, as famílias e as crianças construíram e experimentaram ao longo dos últimos seis meses de pandemia.

Esta conversa está num vídeo postado no nosso canal do YouTube, com as estratégias adotadas pela Escola do Bairro narradas pela própria Gisela. Mas você  também pode ler estas dicas organizadas nesta postagem.

LINK PARA O VÍDEO: https://youtu.be/PZYYIB02Cy4

Uma coisa é certa, a sociedade não pode mais prescindir da escola presencial. As crianças pequenas precisam ocupar novamente o lugar que conquistaram ao longo de tantos anos de luta.  E os profissionais da Educação Infantil precisam da presença da comunidade para encher a alma de realização.

Jeito tem! É preciso enfrentar a situação, ouvir a ciência e acolher as emoções envolvidas no processo.

Gisela parte de um pressuposto: os protocolos são simples, mas é preciso levá-los à sério. Por isso, a escola precisa de uma liderança engajada e comprometida com a volta às atividades presenciais. Uma pessoa que acredita na importância da escola aberta, mesmo durante a pandemia.

A partir da escolha da liderança, é hora de dar as mãos aos educadores, à equipe de apoio, às famílias e às crianças, formando uma corrente unida, responsável e que desfruta de comunicação.

Dicas para construir o movimento de
reabertura da escola

Com isso, a volta das atividades presenciais caminha devagar, dando tempo para avaliar e planejar novos movimentos.  A ausência da pressa permite firmeza em torno dos protocolos, busca de apoio competente, informação e acolhimento das emoções.

  1. Convocar familiares e parceiros da escola que trabalham no setor da saúde para informar e orientar a comunidade escolar.
  2. Eleger uma liderança para o processo. Alguém comprometido com as atividades presenciais e que tem a habilidade de engajar as pessoas em torno do cumprimento dos protocolos.
  3. Escola aberta é vida. É diminuir os outros males que vêm a reboque da pandemia: depressão, tristeza, estresse, evasão escolar, violência doméstica, entre outros.
  4. Criar canais de comunicação acessíveis e ágeis para entrar em contato com toda a comunidade escolar (grupos de WhatsApp, cartazes no muro da escola, e-mail, celular etc.).
  5. No início do processo, a presença de um familiar é fundamental para que a criança e a equipe se sintam seguras, e para que as famílias tomem conhecimento dos protocolos protetivos adotados pela escola. Com isso, toda a comunidade escolar se acalma e se engaja. 
  6. Pensar nos espaços da escola e nos profissionais que estão fora do grupo de risco para calcular a capacidade de atendimento no primeiro momento. Levantar o número de famílias interessadas na volta das atividades presenciais e elaborar um cronograma de atividades, duração, número de crianças e profissionais (educadores e apoio) por grupo. Prever uma pausa para higienização e avaliação do processo: acompanhar a saúde das famílias e da equipe, o cumprimento dos protocolos e as atividades propostas.
  7. Os protocolos e regras devem ser escritos e entregues para toda a comunidade escolar para que todos sejam conhecedores e responsáveis.
  8. A princípio, a escola deve ser um lugar de encontro, de aprendizagem de protocolos de segurança e de brincadeiras. Num segundo momento é que os objetivos de aprendizagem do currículo vão pontuar as propostas.
  9. Em relação às aprendizagens e à intenção pedagógica, é preciso lembrar que cumprir regras de convivência social, manter a saúde, auto cuidado e cuidado com o outro, são objetivos de aprendizagem e desenvolvimento propostos na BNCC.
  10. Planejar com a equipe pedagógica uma série de cenários de brincadeira de acordo com os espaços e os materiais disponíveis e as faixas etárias da escola. No início, este planejamento vai agilizar a preparação da instituição para receber as crianças e a higienização dos ambientes.
  11. Manter uma rotina de reuniões com a equipe pedagógica para conversar sobre o processo, avaliar e acolher as emoções.
  12. Fazer tabelas e esquemas para organizar e orientar toda a instituição em torno da abertura da escola. Sugerimos as tabelas à seguir como pontos de partida para que cada instituição crie a sua. O importante é compartilhar as informações e não se perder em meio ao cronograma de funcionamento e o acompanhamento das famílias.

Dicas a respeito dos protocolos protetivos

  1. Todos os adultos e crianças acima de 3 anos devem usar máscara no espaço da escola e trocá-la a cada 2 horas, enquanto permanecerem na instituição, sem exceção.
  2. O equipamento face shield não é imprescindível, mas é importante especialmente para quem não usa óculos. Contudo, o face shield é um bom lembrete para que não se leve a mão ao rosto. Tanto o face shield quanto os óculos, devem ser lavados a cada duas horas. O face sheild não dispensa o uso da máscara.
  3. É importante ter um profissional na entrada da escola para receber as crianças e os familiares com borrifador de álcool e orienta-los quanto aos procedimentos de higiene:

 Adultos:

      • Trocam de sapatos ou passam álcool ou água sanitária na sola.
      • Trocam de máscara e guardam a usada num saquinho apropriado a ser colocado na bolsa/mochila.
      • Borrifam álcool 70º na roupa e nas mãos.
      • Deixam bolsas, mochilas e outros pertences num local determinado, entrando na escola com a máscara limpa, devidamente colocada rosto, outra máscara limpa para ser trocada depois de uma ou duas horas, garrafinhas de água para si e para a criança e telefone celular, se quiser. 

Crianças:

      • Borrifam álcool 70º nas mãos.
      • São calorosamente recepcionadas por um educador
      • Trocam de máscara (acima de 3 anos)
      • Borrifam álcool 70º nas mãos.
      • Trocam de sapato e de blusa/camiseta, guardando o sapato que veio da rua num local determinado e a camiseta usada, num saquinho na mochila.
      • Deixam a mochila na entrada, num local determinado.
      • Entram na escola e vão lavar as mãos

4. Os profissionais da entrada devem avaliar o estado geral das crianças e dos familiares. Nariz escorrendo (mesmo que seja “alergia”), cansaço, olho irritado, dores, desarranjo intestinal, entre outros sintomas, impedem a criança e o acompanhante de entrar na escola. É importante orientar a família a procurar uma unidade de saúde e não esquecer de acompanhar os desdobramentos.

5. Os profissionais que chegam de transporte coletivo à instituição devem prender o cabelo e trazer uma muda de roupa limpa para ser trocada depois de tomar banho ou fazer higiene do corpo. A roupa usada no transporte público deve ser guardada num saco plástico fechado e colocado no armário ou na mochila.

6. Nos primeiros dias, os familiares ficam responsáveis por levar as crianças ao banheiro, fazer trocas e hidratar com a garrafinha de água.

7. As crianças e os educadores devem lavar as mãos a cada 30 minutos e entre cada atividade. Não é apropriado chamar todas as crianças de uma vez, criando aglomeração em torno das pias e acelerando o processo de aprendizagem da lavagem de mãos e higiene. O sabão de coco pode ser usado nestas ocasiões.

8. Cada instituição deve respeitar os protocolos sanitários de seu município. Uma boa sugestão é utilizar misturas de sabão em pó e/ou sabão de coco, apropriadas para higienizar ambientes, materiais, brinquedos e utensílios usados pelas crianças. Banheiros devem ser limpos cada 30 minutos.

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PARA SABER MAIS…

Gisela Wajskop é Socióloga, Doutora em Educação, com pesquisas sobre o Brincar na Infância. Pesquisadora convidada da University of Toronto, Canadá. É fundadora e diretora da Escola do Bairro, em São Paulo.

Leia sobre adaptação e acolhimento nas postagens: 

4 comments

excelente o artigo. ao ler senti um grande alívio nesse momento de duvida e ansiedade quanto ao retorno das aulas as dicas nos ajudarão muito

Excelente artigo. Ao lê-lo fui sentindo um grande alívio nesse momento de dúvidas e ansiedade quanto ao retorno das aulas no meu município.
Obrigada!

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