Educação infantil remota: reciclando 2020 e avançando

Educação infantil remota: reciclando 2020 e avançando

Vamos abrir as escolas e acompanhar as tendências mundiais.
Vamos fechar as escolas porque o vírus está mais contagioso e acometendo crianças e jovens.
Meu Deus, o que pensar? O que fazer? Retomar o ensino remoto para crianças pequenas? Começar tudo de novo?
TUDO DE NOVO???
Não! Com espírito reflexivo, é possível avaliar, reaproveitar os materiais e as experiências de 2020 e recriar uma escola remota melhor. A ideia é fazer uma avaliação das estratégias, conteúdos e meios tecnológicos utilizados no ano passado.

Algumas coisas ficaram claras sobre a Educação Infantil remota de 2020:

  • O envio exclusivo de material gravado e impresso não promoveu engajamento duradouro e não respeitou os 6 direitos de aprendizagem e desenvolvimento preconizados na BNCC (conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se… lembra?).
  • As atividades síncronas, dependendo do planejamento e da frequência, conseguiram “conectar” as crianças à escola. Entre as conquistas desta atuação, percebemos que algumas propostas desafiaram, promoveram conversas e experiências entre crianças e famílias, construíram vínculo entre professor e colegas e contribuíram para a organização de uma rotina de atividades escolares.
  • Apesar da maior parte dos contextos não permitir a realização dos encontros virtuais coletivos, algumas instituições programaram ligações por WhatsApp para conversar com as crianças e seus familiares. Esta iniciativa contribuiu para manter o elo entre professor, criança e família. Percebemos que a presença ao vivo, mesmo que por meio da tela de um celular, trouxe toques de humanidade às relações, favoreceu a espontaneidade e, dependendo da frequência, professores puderam escutar suas crianças, acolher os sentimentos e até encaminhar as tais atividades gravadas e/ou impressas elaboradas a partir das informações coletadas.
  • A entrega de materiais e “sacolinhas” também enriqueceu as possibilidades de brincadeiras e experimentações feitas em casa. Além de compensar a falta de recurso de algumas comunidades, estes materiais elaborados com intenção pedagógica indicaram para as famílias os recursos que provocam as crianças e induzem explorações e brincadeiras mais complexas.

Estas e outras percepções certamente serão estudadas no futuro. Mas a maré perigosa da pandemia ainda não nos deixou e impede as atividades presenciais para a maioria das crianças.

 

Vamos voltar ao que foi proposto em 2020?
Sim e não!

Como dissemos, é hora de rever as estratégias, os conteúdos, os meios tecnológicos utilizados no ano passado, as propostas dos professores e se perguntar: o que foi bom? O que pode ser melhorado? O que vale a pena repetir? O que deve ser deixado de lado? E aí compor um acervo de materiais separados por faixa etária, adequação ao contexto e ao momento de cada turma e família.

Algumas sugestões para organizar e classificar os conteúdos:

  • Tipo de proposta – artes, contação de histórias, culinária, experiências cientificas, cenários de brincadeiras etc.
  • Pertinência e facilidade de acesso aos materiais
  • Aproveitamento/retorno das crianças
  • Engajamento das famílias
  • Possibilidade de escuta (retorno das crianças e das famílias)
  • Possibilidade de aprofundamento do tema (encaminhamento de propostas sequenciais)

Algumas escolas estão abertas para receber poucas crianças, atendendo grande parte do público remotamente. Nestes casos, é fundamental organizar pequenos grupos compostos pelas crianças que ficam em casa para passarem um tempinho com o professor, por exemplo, nas áreas externas da escola. Fica muito difícil para os pequenos se ligarem a um professor totalmente virtual!

Depois de se apresentar ao vivo, organize um cronograma para fazer ligações para as famílias e combinar um horário para ligar especialmente para cada criança. Planeje este contato preparando perguntas, conteúdos sobre você (coisas que você gosta de fazer, uma música, um objeto, mostrar uma parte da sua casa, um animal de estimação etc.) e uma explicação de como vocês vão trabalhar e se encontrar remotamente. Isso fará toda a diferença! Ao se aproximar particularmente da criança, dispara-se um início de construção de vínculo e de engajamento nas propostas.

Como algumas propostas estarão selecionadas e prontas, destine parte do seu tempo para fazer a escuta das crianças sobre as atividades encaminhadas. Organize um cronograma de encontros (ligações ou plataforma digital) para conversar com cada criança e/ou pequenos grupos sobre as atividades já encaminhadas. Estas ações abrem um canal de escuta para avaliar o envolvimento com a proposta, perceber avanços e fragilidades e pensar nos desdobramentos e direções a seguir. Não é preciso se conectar com todas as crianças a cada proposta! Mas, se puder estabelecer um número de “alvos” para cada atividade, ao final de um ciclo, o professor terá entrado em contato síncrono com todas as crianças da turma.

E uma última sugestão: quando a atividade for gravada por outro professor, grave um vídeo curtinho apresentando o professor e um “mini” resumo da proposta. Esta é mais uma iniciativa para “endossar” a proposta e se vincular às crianças.

O que não podemos fazer é vestir o espírito do desânimo, acreditando que “começou tudo de novo”. Apesar de estarmos vivendo uma situação grave e parecida com a dos primeiros meses de 2020, já percorremos uma jornada e podemos avaliar e replanejar a partir disso. O que foge ao profissionalismo é se acomodar nos caminhos já trilhados sem crítica e se fechando para análise e recriação. Assim como nós, a crianças estão fragilizadas e todos merecemos o esforço de tentar fazer algo melhor… por elas, por nós e pela sociedade.

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